CIA ajudou a espionar embaixadas, diz ex-assessor de Fujimori

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Publicado sábado, 8 de março de 2003 as 15:43, por: cdb

O ex-assessor presidencial peruano Vladimiro Montesinos confessou a um juiz que a CIA (Agência Central de Inteligência norte-americana) ajudou na espionagem telefônica que o ex-presidente Alberto Fujimori realizou contra mais de cem personalidades, segundo seu testemunho publicado neste sábado.

Montesinos, que responde a mais de 70 processos devido a diversos delitos, declarou a um juiz peruano que funcionários da inteligência americana participaram dos trabalhos de interceptação telefônica contra as embaixadas de Brasil, Argentina, Chile, China, Cuba, Equador, Japão, Rússia, e países árabes.

“Da CIA intervinham os senhores Joseph Market e Steve Peyyan, depois vieram John Arabia e Robert Gorelick, tudo isso com conhecimento do presidente Fujimori”, declarou.

Segundo o assessor do presidente Fujimori (1990-2000), a empresa de capital espanhól Telefónica del Perú apoiou as interceptações, apesar de a companhia ter comunicado que não tinha conhecimento da espionagem telefônica.

Além disso, Montesinos relatou que houve “um controle minucioso da embaixada do Equador e de seus funcionários, diplomatas e agregados policiais e militares no momento da guerra com esse país (em 1995)”.

Montesinos explicou que pessoas disfarçadas instalaram equipamentos de escuta telefônica nas sedes diplomáticas em Lima, mas que não sabia se esses aparelhos foram desativados ou se continuam em operação.

O ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional revelou que foram instaladas pelo menos nove escutas no centro de Lima e outras 13 em outras regiões da capital peruana, com o intuito de espionar diversas personalidades políticas e atividades privadas.

A espionagem telefônica comandada por Montesinos não era dirigida apenas contra alvos políticos, mas também contra desafetos sentimentais, como revelou o ex-assessor ao juiz em seu depoimento.

“No ano de 1990, o próprio presidente Alberto Fujimori me pediu para interceptar os telefones de sua secretária Carmen Ricci e de outra mulher, com a qual, segundo pude entender depois, mantinha relações sentimentais”, declarou Montesinos.

As transcrições das conversas grampeadas eram entregues diariamente a Montesinos e este as repassava ao então chefe de Estado.