Chuvas de verão: um drama quase anunciado

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Publicado segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 as 09:05, por: cdb

Nota triste nessa retomada do blog, hoje, é constatar que São Paulo tem um início de ano semelhante a tantos outros, com  alagamentos e inundações várias vezes por semana – as vezes até por dias seguidos – congestionamentos de trânsito batendo recordes, cidade parada, e 10 mortos de dezembro até agora em consequência das enchentes.

Esta situação dramática, infelizmente, quase anunciada todos os anos, vivida pela Capital – a tragédia se repete, também, em outros pontos do Estado – durante as chuvas de verão é um dos resultados mais visíveis da paralisia do governo do prefeito Gilberto Kassab (ainda DEM-PSDB, já que ele ainda não mudou de partido).

Da paralisia de sua gestão e da incúria e silêncio cúmplice da administração estadual, na qual os tucanos se encaminham para completar 20 anos – sucessivos governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e, agora, Alckmin de novo. Há que se registrar, ainda, o tratamento brando, quase cúmplice também da imprensa em geral com os governos de Kassab e do Estado, no caso das enchentes. Noticiam, mas não cobram ação.

Mídia limita-se a noticiar, não cobra ação

Sem falar da mesma omissão da mídia no trato das questões dos transportes coletivos. Como, por exemplo, na decisão noticiada hoje pela Folha de São Paulo, de que das quatro linhas de metrô programadas para serem construídas até 2014, apenas uma estará concluída naquele ano.

Em matéria de transporte público os governos demo-tucanos de Kassab, Alckmin e cia só não se esquecem de reajustar tarifas. O prefeito aproveitou o ano novo para aumentar de R$ 2,70 para R$ 3,00 – uma elevação de 11,11%, o dobro do IPCA do período – o preço das passagens de ônibus de São Paulo.

O sistema já recebe um subsídio anual de bem mais de meio bilhão/ano – de R$ 743 milhões. Em consequência desse aumento, o bilhete de integração do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM (ambos do Estado) – passou de R$ 4,07 para R$ 4,29. As tarifas do metrô e da CPTM sobem de novo agora em fevereiro, mês de reajuste anual dessas passagens.

Infelizmente, depois de duas décadas governando São Paulo, até hoje os tucanos não tem uma política para as regiões metropolitanas do Estado, nem mesmo para a maior delas, a da Grande São Paulo. Governam como se ela não existisse. Aliás, duas não, três décadas se contarmos desde a primeira gestão tucana no Estado, a do governador Franco Montoro a partir de 1983, marco de largada para governos sempre do mesmo grupo político que foram se elegendo sucessivamente no Estado.