Chirac: Não

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 19:47, por: cdb

Pela primeira vez desde o início da crise iraquiana, Jacques Chirac se dirigiu, nesta segunda-feira à noite, aos Franceses durante quarenta minutos, direto pela “TF1” e “France 2”. Sua intervenção foi pedagógica e acima “de todas as controvérsias”.

Em especial tomou cuidado em tratar “o aliado” americano, e assim tranqüilizou os franceses quanto às conseqüências do braço de ferro com Bush. O Presidente falou sobre a sua visão de um “mundo multipolar onde a democracia progride” e onde “as crises [podem] ser geridas assim como possível”.

Colocando-se na lógica da “continuidade das inspeções” para desarmar o Iraque, disse que uma resolução que “comporta um ultimato” não teria, no momento, uma maioria no Conselho de Segurança. Mas, em todo caso, a França está pronta para utilizar o seu direito de veto.

“Quais sejam as circunstâncias, a França votará não porque não é conveniente fazer uma guerra para desarmar o Iraque”, acrescentou, considerando que a China e a Rússia, detentoras de um direito de veto, terão a mesma atitude.

Chirac assegurou que não haverá “meios militares” franceses comprometidos na guerra no Iraque sem a decisão da ONU, mas que o sobrevôo do território francês pelos Americanos será considerado entre aliados. Para ele, “seria um precedente perigoso para os Americanos ir além” à uma decisão da ONU e lançar uma guerra sem o seu aval.

No entanto, o Presidente assegurou que não há “nenhum risco entre os Estados Unidos e a França, que o povo francês e o povo americano, se zanguem” devido às suas divergências atuais.

Esboçando os cenários do pós-guerra, disse-se convencido que “a Europa não estará de forma alguma dividida quando a crise iraquiana estiver terminada”. Outra certeza de Chirac: a guerra “pode apenas conduzir um desenvolvimento do terrorismo”.

O chefe de Estado atribuiu “para uma larga parte” os insucessos atuais da economia francesa às perspectivas de guerra.