Chirac não mudou de idéia sobre o Iraque

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Publicado terça-feira, 3 de junho de 2003 as 23:38, por: cdb

O presidente da França, Jacques Chirac, disse nesta terça-feira que ainda acredita que a guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque foi ilegítima, apesar de estar apoiando os esforços para a reconstrução do país.

Em uma coletiva de imprensa no encerramento da cúpula do G-8 (o grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo, mais a Rússia), em Evian, na França, Chirac afirmou que qualquer ação militar sem o aval do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) é ilegal.

Ele também fez apelos para que as leis internacionais sejam respeitadas em um espírito de diálogo e multilateralismo.

– Nós consideramos que todas as ações militares não endossadas pela comunidade internacional, em particular pelo Conselho de Segurança, foram ambas ilegítimas e ilegais, são ilegítimas e ilegais. E nós não mudamos nossa visão – afirmou.

O presidente francês contou que disse a mesma coisa ao presidente americano, George W. Bush, quando os dois se encontraram na segunda-feira, na primeira conversa pessoal desde a invasão do Iraque.

Os dois afirmaram que as conversas aconteceram em uma atmosfera positiva e construtiva, mas apesar de parecerem relaxados, observadores afirmaram que o clima entre eles continuava espinhoso.

De acordo com o correspondente da BBC Barnaby Mason, com o fim do encontro do G-8, “as diferenças transatlânticas sobre o direito de Washington tomar medidas preventivas de força contra as supostas ameaças do Iraque continuam lá para todos verem”.

Chirac também culpou os Estados Unidos por esperanças frustradas de que a conferência pudesse ajudar a estreitar a distância entre ricos e podres.

– Eles estavam felizes de ver o fim dos subsídios para a agricultura européia, mas não tão felizes para acabar com os subsídios em suas próprias fazendas – afirmou.

O encontro do G-8 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos) produziu uma declaração fnal alertando a Coréia do Norte e o Irã sobre seus programas nucleares.

No documento, os líderes afirmaram ainda que os oito países “dividem a convicção de que chegou a hora de construir a paz e reconstruir o Iraque”.