China não adere à convenção contra minas

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Publicado sexta-feira, 19 de setembro de 2003 as 11:46, por: cdb

As nações signatárias da Convenção de Ottawa, que proíbe o uso e a fabricação de minas antipessoais, terminaram nesta sexta-feira, em Bangcoc, sua reunião anual, que examinou a situação na Ásia sem conseguir incorporar a China em suas filas.

A China tem cerca de 110 milhões desses artefatos explosivos, que anualmente matam, mutilam e ferem entre 20 mil e 15 mil pessoas no mundo todo, segundo dados da Campanha Internacional para a Proibição de Minas Antipessoais (ICBL, na sigla em inglês). “As minas terrestres antipessoais são, como armas defensivas, um dos meios que os países têm para se defender e resistir às invasões externas”, destacou neste último dia Fu Cong, funcionário do Departamento de Controle de Armamento e Desarmamento da China.

A delegação chinesa, no entanto, assegurou que compartilha os objetivos humanitários da Convenção de Ottawa, estabelecida em 1997. Esta foi a primeira vez que uma representação chinesa participa, embora na condição de observador, de uma dessas reuniões anuais.

Como a China, outras 17 nações da Ásia não assinaram este tratado, entre elas a Coréia do Sul, a Índia, o Paquistão e Cingapura, que estão entre os maiores produtores, distribuidores e possuidores de minas antipessoais, segundo a ICBL. O Afeganistão e o Camboja lideram, por sua vez, a lista dos territórios com armas bélicas deste tipo enterradas.

As nações asiáticas e as africanas mais pobres que também sofrem com este problema tentaram nestes cinco dias de sessões conseguir financiamento suficiente para limparem seus territórios. A delegação angolana garantiu que seu Governo precisa dos fundos necessários para tratar o problema com eficácia. A África será o eixo da próxima reunião anual da Convenção de Ottawa, que acontecerá em Nairóbi em novembro de 2004.

Os grandes ausentes na reunião de Bangcoc foram Estados Unidos, Rússia e Índia, cujos governos se recusam a assinar o tratado. Um total de 132 nações de todo o mundo se comprometeram a adotar medidas internas para proibir o emprego, o armazenamento, a produção e a transferência de minas antipessoais, ao passo que outras quatro prometeram destruí-las.