Chefe de polícia do Iraque dá ultimato de 2 semanas a rebeldes

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Publicado quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005 as 17:02, por: cdb

O chefe de polícia da cidade iraquiana de Mosul deu aos insurgentes duas semanas para entregar as armas, sob pena de enfrentar uma forte repressão por parte das forças de segurança, reforçadas depois da eleição.

Mas militantes da al Qaeda no Iraque divulgaram um vídeo pela Internet com uma nova ameaça de assassinato contra o governador da cidade. As imagens mostravam três atiradores mascarados e sentados diante de uma bandeira preta. Um deles leu a declaração, em que o governador de Mosul é ameaçado por chamar o grupo liderado por Abu Musab al-Zarqawi de antiislâmico.

– Entreguem suas armas ou iremos atrás de vocês – disse o ultimato feito pelo brigadeiro Mohammed Ahmed al-Jabouri pela televisão na terça-feira.

A medida ocorreu dois dias depois da realização bem-sucedida de eleições nacionais, apesar das ameaças dos rebeldes.

Jabouri disse que o ultimato, transmitido por uma emissora de TV provincial, dirigia-se principalmente aos insurgentes escondidos em cidades e vilarejos ao redor de Mosul, a terceira maior cidade do Iraque.

Segundo o chefe de polícia, seus homens sabem onde os insurgentes estão e não têm medo de persegui-los. Ele afirmou que estava dando aos rebeldes o prazo até 15 de fevereiro para depor as armas, mas não deu detalhes sobre como isso poderá ser feito.

Na segunda-feira, a polícia apresentou pela mesma emissora de TV sete supostos insurgentes detidos numa série de buscas realizadas no dia das eleições. Os suspeitos são tidos como integrantes do grupo de Zarqawi.

As palavras duras de Jabouri representam uma mudança radical de atitude da polícia de Mosul. Há dois meses, praticamente toda a polícia desertou depois de uma ofensiva rebelde. Dezenas de postos policiais foram saqueados e destruídos.

O chefe de polícia foi demitido e Jabouri, nomeado. Até a declaração de terça-feira, ele tinha se mantido discreto.

Mosul tem sido um ponto de intensa atividade rebelde nos últimos meses  – um ataque suicida matou mais de 20 pessoas numa base norte-americana em dezembro -, e temia-se que houvesse grande violência insurgente no dia das eleições.

Mas a votação foi muito mais tranquila que o esperado, com incidentes esparsos, de acordo com autoridades militares dos EUA. O sucesso parece ter elevado a confiança dos chefes policiais locais, que querem aproveitar o clima favorável.

Em Mosul, assim como no restante do Iraque, foi montada uma enorme operação de segurança no dia da eleição, com cerca de 250 mil homens – entre iraquianos, norte-americanos e outros – nas ruas. O movimento de carros civis foi proibido, as fronteiras foram fechadas e foi imposto toque de recolher.

O ministro do Interior do Iraque disse que as medidas inéditas conseguiram manter uma relativa calma no dia do pleito, embora os insurgentes ainda tenham conseguido matar pelo menos 35 pessoas numa série de ataques suicidas e com morteiros em todo o país.

Mais de 200 pessoas foram detidas durante as eleições, disse o ministro.