Chefe de investigação de Beslan responsabiliza rebeldes

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Publicado quinta-feira, 15 de dezembro de 2005 as 11:58, por: cdb

O chefe de uma investigação sobre a tragédia da escola de Beslan, na Rússia, afirmou nesta quinta-feira, que só os terroristas deveriam ser culpados pelos eventos, em declaração que sugere que os burocratas acusados de incompetência por não terem conseguido acabar com o cerco poderão ser isentos de responsabilidade. Cerca de 330 pessoas, metade delas crianças, morreram após militantes chechenos terem tomado a escola no sul do país por três dias, em setembro de 2004. A maior parte das pessoas morreu em uma série de repentinas explosões e incêndios no final do cerco, mas ainda não ficou claro o que provocou a carnificina. Muitos sobreviventes culparam as autoridades locais por não terem impedido os militantes de chegar a Beslan e por permitir que o impasse terminasse em um banho de sangue.

Mas Alexander Torshin, um senador à frente da investigação oficial, afirmou nesta quinta-feira que era um erro culpar qualquer outra pessoa que não os rebeldes leais ao líder checheno Shamil Basayev pelo ocorrido.

– Por que a opinião pública está tão interessada em ver burocratas punidos e não na prisão dos mentores do ato terrorista? Basayev ainda está foragido e não sabemos se ele está planejando outros afrontas – questionou ele, segundo o jornal Rossiiskaya Gazeta.

Os comentários dele contradizem uma investigação de parlamentares locais na região de Ossétia do Norte, que concluíram, no mês passado, que o cerco foi “principalmente culpa dos órgãos de segurança”. A população local diz que autoridades corruptas ignoraram ou conspiraram na jornada do grupo rebelde até a escola e depois não conseguiram organizar uma resposta efetiva. Torshin concordou que as autoridades deveriam responder por não ter contido o cerco, mas disseram que se concentrar na culpa deles era algo bizarro.

– A culpa em relação ao ato terrorista mais sangrento na história da Rússia é dos terroristas…Isso não deveria ser esquecido – afirmou.