Chefe de inspeções de armas pede acesso incondicional a instalações no Iraque

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Publicado segunda-feira, 30 de setembro de 2002 as 12:32, por: cdb

O chefe de inspeções de armas da Organização das Nações Unidas, Hans Blix, iniciou nesta segunda-feira conversações com autoridades iraquianas, em Viena, na Áustria, sobre um possível reinício da missão de sua equipe no país árabe.

Em entrevista coletiva, Blix disse que seu objetivo é obter garantias iraquianas de que os inspetores terão acesso incondicional a todas as instalações suspeitas.

As reuniões em Viena são o primeiro teste de cooperação desde que o Iraque anunciou, em 16 de setembro e depois de intensa pressão dos Estados Unidos, que permitiria a volta incondicional dos inspetores.

Mas, desde então, o país se opôs a medidas dos Estados Unidos, que têm o apoio da Grã-Bretanha, para garantir uma nova e mais dura resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão.

Blix disse que as conversações visam a garantir “acesso ao Iraque, entrada no Iraque e a acomodação de inspetores, o uso da sede da missão em Bagdad, livre movimentação dentro do Iraque, a presença de inspetores de segurança, a tomada de amostras e sua retirada do Iraque, etc”.

Os inspetores de armas deixaram o Iraque há quatro anos, na véspera de bombardeios aéreos realizados pelos EUA e a Grã-Bretanha, e não receberam mais permissão do Iraque para voltar ao país.

Uma porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Melissa Fleming, disse que a equipe da ONU espera obter “cooperação iraquiana”, mas ressaltou que as conversações não são políticas.

“Nós não vamos estar negociando, aqui. Nós vamos estar pondo à mesa as condições de trabalho que necessitamos para os nossos inspetores”, declarou.

Blix está pedindo, pela primeira vez, a inclusão de escritórios para sua missão em Basra, no sul do Iraque, e em Mosul, no norte.

As conversações ocorrem enquanto os norte-americanos e os britânicos pressionam os demais três membros permanentes do Conselho de Segurança – Rússia, França e China – a aceitar um esboço de resolução que ameaçaria o Iraque com ataques a menos que este país permita o retorno dos inspetores.

Todos os membros permanentes do conselho têm o direito de veto. A Rússia manifestou sua oposição a qualquer nova resolução, enquanto os chineses se mostravam céticos.

Já a França favorece uma abordagem que inclua duas resoluções – a primeira insistira no retorno dos inspetores ao Iraque e a segunda, que só seria discutida se os iraquianos se recusarem a cumprir essa determinação, ameaçaria incluir ação militar.