Chávez teme que a Alca acabe com as economias latino-americanas

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Publicado quinta-feira, 13 de novembro de 2003 as 03:47, por: cdb

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse na última quarta-feira que prevê que será ‘muito dura’ a negociação para evitar que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) acabe com as economias das nações latino-americanas e caribenhas.   
 
– Estamos prontos para entrar em uma fase muito dura de negociações no que se vem chamando de Alca, a pretensão de uma Área de Livre Comércio das Américas – disse.

A Alca ‘é uma gigantesca ameaça à independência e a nossos povos, à soberania de nossos povos, de nossas repúblicas’, sustentou Chávez em um discurso em um destacamento militar de Caracas.

– Será preciso negociar muito duro ali, defendendo nossa soberania – reiterou o governante em referência à VIII Reunião Ministerial das negociações da Alca em Miami (EUA) em 20 e 21 de novembro.

A Alca regerá a partir de 2005, mas Chávez descartou plenamente que seu país acate essa data e deixou entrever seu apoio a um cronograma do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) que prolonga de 10 a 15 anos a abertura comercial do continente.

Os subsídios americanos à sua agricultura e agroindústria, duas áreas que os EUA preferem negociar no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC), são os principais alvos das críticas de Chávez que, no entanto, anunciou que outorgará esses mesmos subsídios ao setor agrícola venezuelano.

Acrescentou que ‘os povos dos Andes, do Caribe e da Patagônia se põem de pé neste continente de novo’ e que ‘apenas começou uma nova batalha para construir uma América Latina justa, igualitária, onde possamos viver como sonharam os pais libertadores’.

Na reunião da Alca e da Cúpula Iberoamérica da Bolívia, à qual confirmou que viajará na próxima sexta-feira, disse que seu Governo continuará evocando ‘o espírito da integração da América Latina’.

– Há apenas um ano -prosseguiu-, a Venezuela era quase uma voz solitária neste tipo de cúpula, mas hoje as vozes que clamam pela justiça social e pelo respeito à soberania se multiplicaram neste continente e mais além – disse.

Em toda a América, acrescentou, ‘estamos vivendo uma época de transição na qual se acabam velhos paradigmas e estão nascendo novas idéias, novos enfoques, novos projetos e a cada dia o veremos com maior freqüência’.

– Poderíamos dizer que seremos surpreendidos por eventos novos que irão aparecendo no horizonte, os quais marcarão um novo modelo de integração e não caberão ‘os políticos e falsos empresários responsáveis por um modelo de exploração e dominação que acha que serão mantidos com a Alca – falou.

Chávez impulsiona um modelo de desenvolvimento ‘endógeno’, com proteção estatal direta à produção nacional e altas tarifas a importações, principalmente procedentes de países desenvolvidos.

Durante os anos que está à frente do Governo ‘levamos adiante um projeto democrático profundo, amplo, que agrega, que delineia e põe em primeiro lugar o selo social, que batalha contra a injustiça’, o que ressaltou que será afetado com a Alca.