Chávez no fogo cruzado de campanha eleitoral Boliviana

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Publicado quinta-feira, 24 de novembro de 2005 as 11:56, por: cdb

Um incidente diplomático colocou nesta quinta-feira o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no centro da campanha eleitoral na Bolívia. Em uma surpreendente declaração, o encarregado de negócios da Venezuela em La Paz, Azael Galero, criticou o candidato direitista à presidência Jorge Quiroga e soltou um grito de “Viva Evo Morales!”, provocando imediata reação do governo contra a “ingerência”.

Em declarações à rede de TV Unitel, Galero qualificou de “ofensa pública” uma recente crítica de Quiroga às ações de Chávez em assuntos de petróleo e integração. Segundo Quiroga, que foi presidente interino da Bolívia entre 2001 e 2002, tais ações prejudicam seu país.

– Ele se identifica como um mensageiro das (empresas) transnacionais, que não suportam ver Chávez aclamado pelos povos latino-americanos e caribenhos e por todos os povos do mundo, disse o principal representante diplomático da Venezuela na Bolívia, na ausência de um embaixador.

Galero comparou Quiroga a Pôncio Pilatos, o definiu como “um homem que obedece e defende os interesses do império” e o advertiu a não se meter com Chávez. – Estamos em uma época de definição, não há meias tintas, não há para onde ir. Ou se está com a integração ou se está com o império; ou se está com Chávez ou se está com Bush, afirmou o diplomata. – Se Evo Morales (candidato de esquerda, favorito) é integracionista, que viva Evo Morales!”

Em nota, a chancelaria boliviana disse ter convocado Galero “para transmitir-lhe sua preocupação por suas declarações, que constituem uma intromissão em um processo eleitoral democrático e transparente, advertindo-lhe da inconveniência de atitudes como a descrita”.

A chancelaria “considera esse fato como uma clara ingerência em assuntos internos, que não competem a um representante diplomático estrangeiro em nosso país”, acrescentou a nota.

Morales lidera as pesquisas eleitorais, seguido por Quiroga. As eleições de dezembro foram convocadas como parte de um pacto político em meados do ano, que pôs fim a uma onda de instabilidade social e levou à presidência interina de Eduardo Rodríguez, em substituição a Carlos Mesa, que por sua vez havia assumido o governo após a saída antecipada de Gonzalo Sánchez de Lozada.