Chávez diz que greve na Venezuela é um “golpe disfarçado”

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Publicado quarta-feira, 1 de janeiro de 2003 as 23:42, por: cdb

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou, nesta quarta-feira, em Brasília, que a prolongada greve convocada por seus opositores não passa de um “golpe disfarçado”.

A “greve cívica”, iniciada em 2 de dezembro, é promovida por empresários, sindicalistas, políticos e organizações civis que se opõem ao Governo de Chávez e exigem sua renúncia e a convocação de eleições antecipadas já no primeiro trimestre de 2003.

“Não há greve na Venezuela; o que existe é um golpe disfarçado de greve”, disse Chávez, assim que chegou a Brasília, onde acompanhou a posse do novo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O Governo insiste que a greve, a quarta e a mais longa de 2002, procura reeditar os acontecimentos de abril passado, quando Chávez foi retirado do poder por 48 horas, em uma paralisação geral em solidariedade a um protesto realizado pelos funcionários da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

“Uma elite empresarial e uma elite sindical corrupta já tentaram quatro vezes parar o país”, disse Chávez. “Mas, nada nem ninguém conseguirá parar a Venezuela e estamos os derrotando mais uma vez”.

Embora tenha perdido apoio nos setores comercial e industrial, a greve continua firme na PDVSA, onde grande parte de seus funcionários dizem que permanecerão parados até que o presidente aceite uma saída eleitoral para a crise que atinge o país.

Mas, o presidente, eleito em 1998 com uma esmagadora maioria, afirma que apenas deixará o cargo se perder um referendo, previsto para o próximo mês de agosto, quando completa a metade de seu mandato, segundo estabelecido pela Constituição do país.

Os inimigos políticos de Chávez acusam o presidente de haver semeado o ódio com sua retórica de confrontação, de dividir o país entre ricos e pobres, de querer levar a nação a um sistema comunista similar ao cubano e de arruinar a economia.

Mas, Chávez responde que não é comunista e que sua “revolução” irritou as elites ricas e poderosas, devido a seu apoio aos pobres, com entrega de terras ociosas e créditos baratos.

Chávez também disse que não haverá uma guerra civil no país e que sua “revolução democrática” é uma “confrontação histórica”.

“Não haverá guerra civil na Venezuela porque as maiorias não têm vontade de uma guerra civil”, declarou o presidente, de 48 anos e que liderou uma tentativa de golpe de Estado em 1992. “O que existe no país são minorias envenenadas”.