Chapéu vietnamita faz a cabeça dos participantes

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 20:33, por: cdb

O acessório mais disputado no Território Social Mundial é um chapéu de palha que vem do Vietnã. O estoque acabou em menos de 24 horas e os que desfilam sob o sol forte de Porto Alegre são assediados a cada momento para saber a procedência do “charme asiático”.

O peruano residente na Alemanha, Jorge Trigoso, 67, atribuiu ao chapéu uma ligação com seu passado.

– Sou de uma geração que tem uma vinculação sentimental com o Vietnã, que viveu os protestos contra a guerra dos Estados Unidos – afirmou o participante do FSM, que representa o Movimento Alemão dos Trabalhadores Católicos.

Para a psicóloga Carla Dalbosco, 33, o chapéu simboliza uma aproximação entre os países.

– Acho legal poder ter contato com algo que não faz parte da cultura da gente e ao mesmo tempo nos aproxima – disse, enquanto passeava pela orla do Guaíba bem protegida do sol.

O chapéu –em forma de cone, com uma base larga, também usado em outros países da Ásia– estava à venda num estande do Vietnã, que reúne uma delegação de 20 pessoas representando diferentes organizações. Além da venda de camisetas e chapéus, cuja renda será revertida para ações em favor das vítimas do agente laranja, há um abaixo-assinado pedindo ação dos afetados pela arma química.

Segundo a vietnamita Linh Nguyen Hoang, 21, que vive em São Paulo desde os 5, a duração do estoque foi curtíssima. A venda no FSM começou na quarta-feira e nesta quinta pela manhã já não restava nenhum dos cerca de 200 trazidos pelo grupo.

O objeto do desejo foi vendido a 10 reais. Como não haverá reposição do estoque, aos que ficaram sem, resta tentar negociar com aqueles que conseguiram comprar.

– Na rua, não param de me perguntar onde comprei o chapéu –  afirmou Fernanda Castillo, 51, participante que está no acampamento da juventude. Em coro com sua vizinha de barraca, Fernanda disse que a demanda é tanta que talvez venha a vender “com ágio” o artigo.