Cesar Maia divulga contas de Okamotto

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 19 de abril de 2006 as 09:26, por: cdb

O provocador César Maia

O prefeito do Rio, César Maia, divulgou nesta terça-feira num boletim que distribui pela internet números de três contas que Paulo Okamotto, ex-tesoureiro do PT e de Luiz Inácio Lula da Silva, teria usado para dar “presentes à família de Lula”. O prefeito disse ter obtido a informação de “um repórter distraído” que acidentalmente gravou conversa de Okamotto ao telefone. Acho que o país e a democracia teriam a ganhar com a abertura das contas do obscuro cidadão Okamotto. Mas, de forma legal. O que fez César Maia é provocação.

 

Para inglês ver – I

As novas regras eleitorais aprovadas nesta terça-feira pelo Senado, supostamente para baratear e moralizar as campanhas eleitorais, são engraçadas. A (falta de) disposição de moralizar, de fato, o processo eleitoral pode ser medida pelo seguinte: retirou-se do projeto original do senador Jorge Bornhausen (PFL) a punição a doadores de campanha que repassem recursos não contabilizados. Além disso, a chamada emenda Delúbio, que responsabiliza tesoureiros de campanha (além dos candidatos) por irregularidades, também foi derrubada.

 

Para inglês ver – II

No projeto aprovado não foi estabelecido um teto de gastos – elemento essencial para se baratear efetivamente as campanhas. Mesmo que fosse difícil uma rígida fiscalização de um dispositivo como esse, a simples existência do teto fixado pela Justiça Eleitoral serviria como elemento inibidor de gastos abusivos. Por outro lado, com a justificativa de se diminuir os gastos, proibiu-se a doação de brindes como bonés, camisetas ou canetas. Vá alguém entender a lógica isso.

 

Justiça demorada é justiça?

Só neste mês de abril de 2006, quase 36 anos depois de iniciado, chegou ao fim o processo a que Paulo Maluf respondia por ter feito cortesia com chapéu alheio: presenteou os jogadores tricampeões de futebol de 1970 com carros pagos com dinheiro público. Como querer que um cidadão comum acredite numa Justiça que só chega a conclusões mais de 30 anos depois? E, pior: como construir uma democracia forte se não há confiança no Judiciário para arbitrar os conflitos na sociedade?