Cento e sessenta mil continuam sem casa na Indonésia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 27 de dezembro de 2005 as 11:19, por: cdb

Um ano depois do tsunami que devastou parte da província de Aceh, na ilha de Sumatra, na Indonésia, 160 mil pessoas continuam sem casa, vivendo em barracas ou alojamentos temporários. A cidade fica perto do epicentro do terremoto que gerou a onda gigante no Oceano Índico. Quase metade das pelo menos 225 mil pessoas que morreram ou desapareceram em vários países da Ásia estava na província de Aceh. Até agora, cerca de 16 mil casas já foram construídas e outras 16 mil ainda estão em fase de construção, e deverão ficar prontas no início de 2006. No centro da cidade, pouco lembra a tragédia do tsunami. Mas à medida que se chega perto da costa, a paisagem muitas vezes lembra um gigante canteiro de obras. Outras vezes, um imenso campo de refugiados.

A Agência de Reabilitação e Reconstrução do governo indonésio para a região de Aceh e Nias (BRR, na sigla em inglês) foi criada há sete meses para coordenar a reconstrução de casas e infra-estrutura. Segundo o diretor da agência, Eddy Purwanto, o governo pretende resolver a situação até 2007.

– Um dos problemas é que muitas pessoas não têm certificados de propriedade de terra. Para resolver isso, nós estamos fazendo um extenso mapeamento da comunidade e vamos emitir 300 mil certificados de propriedade de terra nos próximos meses nas áreas atingidas –  disse Purwanto.

Nos campos de abrigo temporário, a situação é muitas vezes precária, principalmente para as cerca de 60 mil pessoas que ainda vivem em tendas. No campo de Lhok Nga, improvisado na beira de uma estrada, famílias inteiras vivem há um ano em tendas de não mais que dois metros quadrados. A situação piora com a chegada das chuvas, já que muitas das tendas são frágeis demais para conter a água.

– Nós não temos emprego e os mantimentos só vêm uma vez por mês – contou Rumiati, moradora da barraca, que como muitos indonésios usa apenas um nome.

Dos US$ 7 bilhões que ainda serão necessários para esse processo de reconstrução, o governo estima que dois terços virão de ONGs e países doadores. A presença das ONGs em Banda Aceh é difícil de ser ignorada. Por toda a cidade, os emblemas de organizações como Cruz Vermelha, Oxfam, Cafod, Christian Aid, Muslim Aid estão em carros e projetos de construção.