Centenas de estudantes protestam novamente contra as tarifas na Bahia

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Publicado quinta-feira, 25 de setembro de 2003 as 04:14, por: cdb

Centenas de estudantes voltaram novamente às ruas de Salvador para protestar contra o preço da passagem de ônibus, após 14 dias de trégua do movimento que paralisou a capital baiana na primeira semana de setembro.
 
Cerca de 500 alunos de diversas escolas da cidade, de acordo com cálculos da Polícia Militar, saíram em passeata no final da manhã da última quarta-feira, da Praça da Piedade ao Iguatemi, onde foram contidos por guarnições da PM, que se deslocaram ao local para garantir o fluxo do trânsito e impedir a obstrução das vias públicas.

A manifestação causou engarrafamentos em vários pontos da cidade, em especial nas avenidas Bonocô e Antonio Carlos Magalhães.
 
De um lado, os integrantes do movimento garantem que manterão a ocupação das ruas ao longo da semana, na tentativa de pressionar o prefeito Antonio Imbassahy para que o aumento da tarifa seja revogado. Do outro, oficias da PM reafirmam a disposição da corporação em continuar atuando para assegurar a normalidade na cidade.

O protesto teve início por volta das 11h, na Praça da Piedade. Dali, os estudantes rumaram em direção à Estação da Lapa, onde interromperam o trânsito por cerca de 45 minutos. Em seguida, os integrantes do movimento percorreram o Dique do Tororó, formando cordões humanos que impediam a circulação de carros e ônibus no local.
 
A mesma estratégia foi utilizada na Avenida Bonocô, causando um congestionamento de quase 2km.

– Por que não avisam que vai acontecer toda essa bagunça antes? – bradou uma motorista autônoma que trabalha com transporte escolar, e preferiu não se identificar.

Qualquer veículo que tentava furar o cerco era contido pelos estudantes, que se lançavam para frente dos carros. Um deles, dedo em riste, virou-se para o motorista de um Fiorino branco (placa AJG-5441, de Curitiba) que tentava romper a barreira e deu a sentença:
 
– Agora é que você não vai passar mesmo.

Os impasses eram acompanhados de perto por duas viaturas da PM.
Às 14h10, os estudantes chegaram à Avenida Antonio Carlos Magalhães, e seguiram para a frente do Corpo de Bombeiros, onde se sentaram na pista durante poucos minutos. Nesse instante, um aluno do colégio Manoel Novaes anunciou a intenção de obstruir a área do Iguatemi.
 
A reportagem perguntou para ele onde poderiam ser encontrados os líderes da manifestação.
 
– Nós não temos líderes, apenas porta-vozes do movimento, que são escolhidos nos grêmios – responde o estudante, outro dos muitos que preferiram manter o anonimato.

Pouco tempo depois, os manifestantes atingiram as imediações do Shopping Iguatemi e passaram a ocupar as pistas do local.
 
Começaram as primeiras movimentações dos PMs deslocados para o local para conter o protesto. Momentos de tensão se sucederam. A polícia iniciou sua estratégia de desobstrução, através da formação de cordões de isolamento, que obrigavam os estudantes a irem para os canteiros centrais e laterais da área.

O trânsito voltou a fluir por alguns instantes, mas, sob os gritos de ‘resistência, resistência, resistência’, os estudantes tentaram reocupar as pistas. Nada feito. A PM entrou novamente em ação e endureceu o jogo.
 
Vários policiais já exibiam fardas sem a identificação, item considerado obrigatório pelas normas da corporação. A estudante Rebeca Mariana Coelho, aluna do Colégio Estadual Manoel Novaes, acusou um deles de agressão, exibindo um hematoma na perna.
 
– Eu não fiz nada com ele e recebi um chute – afirmou Rebeca.
 
A essa altura, os estudantes já tinham adotado outra estratégia, pulando as grades que separam as pistas da área para ocupação da Estação de Transbordo do Iguatemi, na tentativa de evitar a ação da PM.
 
Mais uma vez, a polícia entrou em cena e impediu a obstrução do local, obrigando os estudantes a se debelarem gradativamente. Às 15h, a manifestação foi contro