Censo 2000 mostra famílias menores e mulheres mais independentes

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Publicado quarta-feira, 8 de maio de 2002 as 22:04, por: cdb

Uma nova rodada de análise do Censo 2000, divulgada nesta quarta-feira, aprofunda tendências verificadas em levantamentos anteriores relativos à estrutura da família brasileira: o número de membros está caindo, assim como o índice de uniões formalizadas, e as mulheres assumem, cada vez mais, um papel de chefia.

A radiografia do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela outros dados importantes: cerca de um quarto da população sobrevive com até um salário mínimo e os católicos – no Brasil, o maior contingente do mundo – vêm perdendo espaço para os evangélicos. Também são confirmadas as tendências de universalização da educação na faixa dos sete aos 14 anos (95 %), de redução na proporção de pessoas menos instruídas e de aumento das de nível mais elevado. Todos os dados constam na Tabulação Avançada do Censo 2000. As principais conclusões da nova etapa são as seguintes:

Estrutura das famílias
Em relação ao Censo anterior, realizado em 1991, o número médio de pessoas por família diminuiu (de 3,9 para 3,5 pessoas), tanto na zona urbana como rural. Por outro lado, aumenta o número de famílias de apenas uma pessoa (nove por cento) ou sob responsabilidade feminina (12,8 milhões de famílias). A acelerada queda da fecundidade ocorrida no país nas últimas duas décadas explica a redução do tamanho das famílias.

A média da área rural, que caiu de 4,4 para 4,0, ainda é maior que a urbana, que passou de 3,8 para 3,4. As famílias com um a quatro componentes estão mais presentes nas áreas urbanas, enquanto as famílias com cinco a 11 pessoas são mais freqüentes na área rural. As famílias com até quatro componentes representam 60% do total no país.

Do total de 48,2 milhões de famílias existentes no Brasil, 26,7% estão sob a responsabilidade da mulher. No censo de 1991, elas eram responsáveis por 7,7 milhões de famílias, ou 20,5% do total de 37,5 milhões.

O crescimento deste tipo de família pode ser explicado por dois fatores principais: a elevada esperança de vida da mulher, oito anos mais alta que a do homem, e a maior autonomia econômica adquirida nas últimas duas décadas. A maioria das mulheres responsáveis por domicílios não tem marido ou companheiro. Apenas 1,8 milhão delas (do total de 12,8 milhões) vive com o cônjuge.

E entre os 35,3 milhões de homens responsáveis por famílias, 31,5 milhões contam com a presença da esposa ou companheira. As famílias sob responsabilidade da mulher têm, em média, 2,9 integrantes. Já naquelas que têm homens como responsáveis, a média é de 3,7 pessoas.

Quanto ao estado conjugal das pessoas, o Censo revelou que, entre 1991 e 2000, houve queda no total de casamentos legais (de 57,8% passou para 50,1%). Já a proporção de pessoas em união consensual cresceu significativamente, passando de 18,3% para 28,3%.

De um modo geral, as mulheres se casam mais cedo do que os homens, mas são os homens que conseguem manter altas taxas de nupcialidade ao longo da vida. As mulheres, a partir dos 35 anos, apresentam taxas menores.

Salário mínimo
O Censo também verificou que 24,4% da população ocupada e com rendimento mensal de trabalho ganhavam, em 2000, até um salário mínimo e somente 2,6% recebiam mais de 20 salários mínimos. Verificou-se, ainda, que 51,9% ganhavam até dois salários mínimos.

O nordeste tinha o maior percentual de pessoas ocupadas com rendimento na faixa de até um salário mínimo (46,2%) e o menor na de 20 salários mínimos (1,4%). A região sudeste ficou com a proporção mais reduzida na classe de até um salário mínimo (15,9%). Na faixa de mais de 20 salários, os percentuais mais altos foram os das regiões centro-oeste (3,4%) e sudeste (3,3%).

Mais negros
No que diz respeito à raça ou à cor dos brasileiros, a comparação dos Censos de 1991 e 2000 mostra que, em todo o país, aumentou a proporção de pessoas que se declararam de cor preta (de 5,0%, em 1991, para 6,2% em 2000).

Já a proporção de pardos diminuiu (de 42,6% para 39,1