Cedae começa a assentar emissário submarino

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Publicado quinta-feira, 25 de março de 2004 as 11:47, por: cdb

O governo do Estado tem tudo planejado para começar no final deste mês o assentamento dos tubulões do emissário submarino da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Para tanto, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto) só depende de condições marítimas favoráveis, que durem, pelo menos, três dias.

O emissário levará para alto-mar o esgoto da Baixada de Jacarepaguá, que atualmente é jogado em rios, canais e lagoas da região. A obra integra o Programa de Saneamento da Barra e Jacarepaguá (PSBJ). Encarregado da construção do emissário, o Consórcio Barra Nova, composto pelas construtoras Carioca Engenharia e Norberto Odebrecht, terminou, na semana passada, a dragagem dos fragmentos da rocha de arenito explodida para abrir um valão de cerca de 2,5 metros de profundidade, na zona de arrebentação, que possibilitará o assentamento do emissário.

O trecho de arenito possui 2,95 metros de espessura e se aproxima da superfície a 120 metros da praia, estendendo-se por cerca de 180 metros mar adentro, quando volta a se aprofundar. A desobstrução do trecho, debaixo do píer da Barra, é imprescindível para o assentamento do emissário, que terá 5.698 metros de extensão.

Confeccionados em polietileno de alta densidade, com 1.400 milímetros de diâmetro e importados de Portugal, os tubulões bóiam, tapados e em perfeitas condições, ao largo de outro canteiro de obras das construtoras, no Caju, na Zona Portuária do Rio.
Havendo previsão de mar pouco mexido ao longo da costa nos próximos dias, o consórcio fará a retirada da areia fina lançada pelas ondas no valão e iniciará, no fim de semana, com muito cuidado, o reboque por via marítima dos dois primeiros trechos de 518 metros de tubulões interligados.

Chegando à Barra da Tijuca, esses tubulões serão afundados e assentados, lado a lado na arrebentação, ficando um fechado até o dia em que houver maior demanda por esgoto na região. Bastará, então, emendar um novo emissário à tubulação.

Outros três trechos maiores, com 1.500 metros cada um, passarão pelo mesmo processo em abril até ser assentado todo o emissário submarino, que, na sua primeira etapa, lançará cerca de 900 litros de esgoto por segundo em alto mar.

Desde 2001, a Cedae já investiu mais de R$ 78 milhões na Barra da Tijuca, através do Programa de Saneamento da Barra e Jacarepaguá. Nesta primeira etapa das obras, a estação de tratamento de esgotos da Barra – 90% dela já estão prontos – será terminada no final de 2004, junto com os emissários submarino e terrestre, além de 50% da rede coletora de esgotamento sanitário de Jacarepaguá e 40% da Barra.

Ao ser concluída, a estação, que terá capacidade máxima para até 5,1 mil litros de esgoto por segundo, tratará cerca de 1,3 mil litros/segundo, provenientes do Itanhangá, Joatinga, Centro da Barra, Jardim Oceânico, Tijucamar, Marapendi, Novo Leblon, Santa Mônica, Lagoa da Barra e Jacarepaguá.

Sem invadir a via pública, a Cedae já começou a perfurar um túnel de três metros de diâmetro, sob a Avenida das Américas, na altura do Bosque da Barra, para dar passagem ao emissário terrestre, que ligará a estação de tratamento de esgotos ao emissário submarino. No Recreio dos Bandeirantes, a construtora Passarelli, vencedora da licitação, já vê local para o canteiro de obras, após brigar um ano na Justiça por seus direitos, questionados por outra empreiteira, o que faz com que só agora as obras da Cedae, bastante extensas, cheguem ao bairro.

Na região de Jacarepaguá, que abrange também a Avenida Ayrton Senna, onde as obras transcorreram em ritmo lento devido ao pedido de concordata de uma das construtoras, já foram assentados mais de três mil metros de troncos, redes e recalques de elevatórias, com aplicação de R$ 12,5 milhões na região, restando investir cerca de R$ 25,7 milhões de um total de R$ 38,2 milhões.

Superado esse problema com a construtora, as obras foram retomadas, dentro da legalidade, em janeiro pelo consór