Cavallo volta com a mãos no bolso

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Publicado segunda-feira, 19 de novembro de 2001 as 09:16, por: cdb

Na entrevista final do Comitê de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial, a vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger foi taxativa: “Não haverá antecipação de desembolso antes que a missão técnica do Fundo complete a revisão do programa econômico argentino.”

Também foram enérgicas as declarações do diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Claudio Loser, quando perguntado sobre as pressões para que a instituição liberasse mais dinheiro para a Argentina: “O FMI já deu uma quantia altíssima de recursos para a Argentina. Há dois meses liberamos um pacote equivalente a 700% da cota do País, o que é um dos níveis mais altos de programa com o Fundo. Já estamos apoiando a Argentina por um período prolongado. Se isso não for apoio de forma importante, eu não sei o que é.”

Na sexta-feira, Cavallo reuniu-se com o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, que ao final do encontro disse estar confiante no sucesso da operação de reestruturação da dívida da Argentina.

Cavallo recebeu ainda o apoio moral de todos os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do G-20, com a referência explícita à Argentina no comunicado oficial do encontro. No texto do documento, o grupo recomenda uma solução mais rápida possível ao problema da dívida da Argentina. O diretor do Fundo disse ainda que, exceto pela Argentina, a situação econômica e financeira da América Latina está “sob controle”. Sobre o Brasil, Loser comentou o descolamento das moedas brasileira e também do Chile em relação à Argentina observado nas últimas semanas. Ele ressaltou que o Brasil tem apresentado números fiscais positivos, com um fortalecimento da política econômica. Já o México teria saído ileso da turbulência sobre uma possível moratória do Brasil, que Loser aponta como uma das maiores economias da região (com o Brasil).

Na reunião de encerramento, o Comitê de Desenvolvimento do FMI e do Bird e o IMFC chegaram à uma conclusão de que a pobreza em muitos países em desenvolvimento vai agravar-se por conta da deterioração das situação econômica após os atentados terroristas de 11 de setembro.

A divergência ficou por conta da receita para ajudar os países em desenvolvimento, que enfrentam uma forte retração no fluxo de capital privado, por conta do movimento de aversão ao risco. O secretário do Tesouro dos EUA O’Neill, reconheceu que as economias emergentes e os países mais pobres do mundo estão enfrentando um impacto negativo de desaquecimento econômico mundial O ministro das Finanças do Canadá, Paul Martin, concordou que os mais atingidos pelos efeitos dos ataques terroristas de 11 de setembro foram os países mais pobres e também as economias mais vulneráveis. “Programas de reformas econômicas em muitos destes países vão estar sob crescente estresse”, disse Martin. Segundo ele, o estresse será causado pela queda nos preços das commodities, do turismo e do volume de investimentos.