Catalunha: vitória soberanista com Governo penalizado

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Publicado domingo, 25 de novembro de 2012 as 23:00, por: cdb

A Convergência e União, do atual presidente Artur Mas, voltou a vencer as eleições, mas sem a maioria ambicionada. A Esquerda Republicana duplicou a representação parlamentar e ultrapassou os socialistas como segunda força. À esquerda, a ICV ganhou mais três deputados e a CUP estreia-se no parlamento catalão. Artigo |26 Novembro, 2012 – 03:56 Catalães penalizam austeridade do Governo e aumentam a confiança nos partidos independentistas à esquerda. Foto Bernard…/Flickr

Quando convocou as eleições para reforçar o seu poder na definição do processo de autodeterminação da Catalunha, o presidente da Generalitat – o governo autonómico catalão – não esperava por este resultado. A Convergência e União (CiU) passou de 62 para 50 deputados e afastou-se ainda mais da maioria absoluta no parlamento, só alcançada com 68 deputados. A oposição aos cortes e às medidas de austeridade do governo catalão acabaram por ser determinantes na decisão do eleitorado, que não permitiu a transformação de Artur Mas na figura incontestada para fazer frente a Madrid no braço de ferro político sobre um futuro referendo acerca da ligação da Catalunha ao Estado espanhol.

Foi uma vitória com sabor amargo para Mas, e embora o conjunto das forças que apoiam um referendo para a autodeterminação catalã seja maioritário na nova composição do parlamento, manteve-se quase inalterado em relação a 2010 e fica aquém dos dois terços. No discurso de reação aos resultados, o líder da CiU reconheceu que o seu partido já não tem a força necessária para avançar com o seu modelo e tentou corresponsabilizar a oposição pelo futuro não apenas do processo como da governação da Catalunha.

Esquerda independentista sai reforçada

O apelo de Mas foi lido pela imprensa como dirigido sobretudo à Esquerda Republicana Catalã (ERC), a formação que passou de 10 para 21 deputados e ultrapassou a bancada socialista, apesar de ter menos alguns milhares de votos que o PSC. “O processo para a independência saiu claramente reforçado”, afirmou Oriol Junqueras, o líder da ERC sublinhou o apoio maioritário expresso nas urnas aos partidos soberanistas e independentistas. Citado pelo ‘El Periodico’, Junqueras prometeu buscar acordos “com as restantes forças políticas e tambem com as organizações sociais e económicas” catalãs, porque a proposta independentista “só poderá ter êxito se for assumida por todos”.

Uma novidade no discurso de Jonqueras foi a referência à Candidatura de Unidade Popular (CUP), a quem felicitou pela entrada no parlamento. Esta formação da esquerda independentista, que já tinha presença autárquica com mais de uma centena de eleitos, apresentou-se pela primeira vez a votos, conseguindo três deputados pelo círculo de Barcelona e 3,5% no total dos votos. Celebrando a “entrada do cavalo de Tróia das classes populares” no parlamento, David Férnandez assumiu como uma das prioridades da CUP a concretização das condições sobre as quais se realizará um referendo sobre o futuro da Catalunha. Férnandez recordou ainda os três objetivos da candidatura: Acabar com os despejos, os cortes e o pagamento das dívidas ilegítimas.

Com 13 deputados eleitos (mais 3 que em 2010), a Iniciativa pela Catalunha – Esquerda Unida e Alternativa (ICV-EUiA) congratulou-se com os melhores resultados da história da coligação ecosocialista, apelou a uma frente contra a austeridade e apontou baterias a Artur Mas. Joan Herrera afirmou que “a vitória da CiU é a derrota dos seus objetivos políticos” e que os catalães expressaram com o seu voto que “não querem um governo de insensíveis”. Herrera quer que as formações da esquerda no parlamento catalão dificultem ao máximo a investidura de Mas.

Socialistas sofrem nova derrota histórica

O Partido Socialista Catalão saiu claramente derrotado destas eleições e até ultrapassou a queda sofrida em 2010, que já tinha sido o pior resultado da história. Desta vez, a bancada perde mais oito deputados, ficando reduzida a 20. Para Pere Navarro, o candidato do PSC, a única consolação deste resultado desastroso é que foi, apesar de tudo, menos mau do que previam as sondagens. “Nós estávamos num momento complicado, de reencontro com a sociedade. Numas eleições com tanta tensão, é possível que tenha custado fazer passar a nossa mensagem de sensatez”, declarou Pere Navarro aos jornalistas.

Apesar de ter obtido a melhor votação de sempre em eleições autonómicas, o Partido Popular baixou para quarta força do parlamento catalão, com 19 deputados e acusou Artur Mas de ser o grande perdedor destas eleições, instando-o a abandonar “a sua postura separatista”. O movimento Ciutadans também obteve uma vitória histórica, passando de 3 para 9 deputados. Esta formação defensora da união com Madrid foi uma das supresas da eleição, ao conseguir um grupo parlamentar próprio, para o qual são necessários 5 eleitos. Albert Rivera exigiu a demissão de Artur Mas e anunciou logo na noite eleitoral a apresentação de uma moção de censura caso o líder da CiU avance para um novo mandato à frente do Governo autonómico.

Resultados das eleições

CiU – 30.68% – 50 deputados – 1.112.341    votos
ERC – 13.68% – 21 deputados – 496.292 votos
PSC – 14.43% – 20 deputados – 523.333 votos
PPC – 12.99% – 19 deputados – 471.197 votos
ICV – 9.89% – 13 deputados – 358.857 votos
CIUTADANS – 7.58% – 9 deputados – 274.925 votos
CUP – 3.48% – 3 deputados – 126.219 votos