Cassação de Temer no TSE abre nova chance para o ‘Volta, FHC’

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Publicado quinta-feira, 3 de novembro de 2016 as 13:39, por: cdb

Ainda que o PSDB integre o governo do presidente de facto, Michel Temer, a disputa no Judiciário segue sem quartel. Caso não atinja o objetivo de ter as contas sejam julgadas em separado àquelas da presidenta Dilma, Temer corre o risco de ser afastado do poder nos próximos meses

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

O jogo de forças estabelecido no país, após o golpe de Estado que depôs a presidenta Dilma Rousseff, ganha um novo contorno. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ação proposta por tucanos para cassar a chapa Dilma-Temer é alvo de um pesado lobby do PMDB para que seja dividida. Parte para a petista afastada, parte para o peemedebista no poder. Assim, Temer espera seguir no Palácio do Planalto. Mas, na outra ponta, líderes do PSDB trabalham para que, em caso de uma eleição no Plenário do Congresso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) volte ao poder.

FHC
FHC foi questionado sobre o apoio ao impeachment do presidente de facto, Michel Temer

Ainda que o PSDB integre o governo do presidente de facto, Michel Temer, a disputa no Judiciário segue sem quartel. Caso não atinja o objetivo de ter as contas sejam julgadas em separado àquelas da presidenta Dilma, Temer corre o risco de ser afastado do poder nos próximos meses. Seu destino está sobre a mesa do ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE.

Temer cassado

O processo pela cassação avança. Nos últimos dias, cresceu a movimentação nos bastidores no TSE para que Temer seja liberado. O objetivo final é separar as contas de Dilma e Temer na campanha, mas a tarefa parece mais complicada do que deseja o PMDB.

Citado na Operação Lava Jato, Temer precisa vencer essa etapa, no TSE, para manter o foro privilegiado. E a Presidência da República. Mas não há precedentes, na história republicana, em que houvesse a separação das contas de campanha. Ainda assim, como a Corte é composta por sete membros titulares, bastariam quatro votos para manter o status quo. Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), até admitem que a manobra seja viável.

Temer enfrenta, ainda, as novas provas apresentadas pela força tarefa específica para o processo. Criada pelo relator das ações, ministro Herman Benjamin, os investigadores avaliam as movimentações financeiras das empresas investigadas. Para agravar ainda mais a situação de Temer, ele foi citado ainda nas delações premiadas de Marcelo Odebrecht e de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Na avaliação da maioria dos ministros do TSE, segundo levantamento promovido pela reportagem do Correio do Brasil, serão necessárias provas contundentes para que a Corte decida por afastar mais um inquilino do Palácio do Planalto.

— Para que o Judiciário casse o mandato de um governante democraticamente eleito, as irregularidade precisam ser provadas e significativas o suficiente para influenciar o resultado da eleição nacionalmente — disse um ministro, a jornalistas.

De bico aberto

No TSE, ao contrário do que ocorreu no afastamento da presidenta Dilma, o processo é, iminentemente, jurídico. Dispensa o fator político, determinante para a cassação do mandato presidencial. Tal variável anima os tucanos, autores do processo, cientes de que as denúncias contra a chapa Dilma-Temer têm fundamentos sólidos. Ainda que corte na carne, com o risco de ver afastados os líderes tucanos José Serra e Aécio Neves. Ambos são senadores tucanos por São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. E também foram citados no mesmo processo que o peemedebista Michel Temer.

O PSDB, apesar dos possíveis desfalques, poderia voltar a governar o país com FHC, como propõe o agrônomo Xico Graziano. Ex-ministro de FHC e dono de uma opinião relevante no ninho tucano, ele escreveu, em um artigo publicado na mídia conservadora, nesta quinta-feira, que FHC é o “o ponto de equilíbrio de uma nação esfacelada”. Com o bico grande e aberto, o ex-presidente espera que o TSE determine o afastamento de Temer para, aos 85 anos, retornar ao Planalto.

Leia, adiante, o artigo de Graziano.

Volta, FHC

Gostaria de expor uma posição política. Faço-o com total desprendimento e isenção. Embora filiado ao PSDB desde sua fundação, pelo partido não falo. Externo posição política independente.

Não pertenço a nenhum grupo, nem o de Aécio Neves, nem o de José Serra, nem o de Geraldo Alckmin. Tenho apreço por todos eles, mas a nenhum devo satisfações.

Tampouco me expresso em nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem sirvo com dedicação desde sua campanha ao Senado, em 1986.

Mantenho atualmente com ele as melhores relações de amizade, respeito e admiração. Auxilio-o defendendo seu legado nas redes sociais.

Sigo sua liderança e me espelho no exemplo do homem que tem sido capaz de se reinventar a cada instante, tendo se tornado o ponto de equilíbrio dessa nação esfacelada pela crise econômica, social e política.

Para entender a política contemporânea, precisamos escapar da antiga dicotomia entre esquerda e direita. Na sociedade pós-industrial, velhas ideologias pouco importam.

Velha política

Escasseiam operários, abundam autônomos e empreendedores no mundo tecnológico. Causas sociais, organizadas via internet, substituem a luta de classes.

Notoriamente nossos partidos políticos estão fossilizados, vivem no século passado, perderam legitimidade. As recentes eleições deixaram claro: ninguém aguenta mais a velha política. Os que perderam a ela pertenciam.

Venceram aqueles que sinalizaram distância do fisiologismo. Maus gestores públicos, candidatos fake e populistas, independente do partido, foram barrados nas urnas.

Quem dançou feio, mesmo, foi o PT. Depois da roubalheira que fizeram, era esperado. O PSDB cresceu nacionalmente. Um olhar para as capitais, todavia, mostra diversidade partidária.

João Doria (PSDB) em São Paulo, Alexandre Kalil (PHS) em Belo Horizonte, ACM Neto (DEM) em Salvador, Marcelo Crivella (PRB) no Rio, Geraldo Júlio (PSB) em Recife, Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza: todos representam a vitória contra a embromação política.

Findo o período eleitoral, olhamos para frente. Quer dizer, para 2018.

‘Maledicência lulopetista’

Qual liderança poderá recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento? Como fazer a reforma política tão desejada?

Quem conseguirá estabelecer conexão com a sociedade organizada nas redes? É o que todos querem saber.

Creio que somente o ex-presidente FHC se legitima, pela vasta experiência, sensatez e sabedoria, para nos conduzir nessa difícil travessia.

Apesar da maledicência lulopetista, que o atacou ferozmente durante anos, a história resgata sua dignidade na mesma medida em que seus detratores se afundam na Lava Jato.

FHC representa a decência na vida pública. Esse é o maior desejo do brasileiro. Viver num país com civilidade, honestidade, princípios. Um país que ofereça oportunidades, gere bem-estar, dê segurança. Um país tolerante, respeitoso, diverso, unido na defesa da cidadania.

Pode ser que a Justiça acelere o processo político e casse a chapa Dilma-Temer. Nesse caso, o Congresso elegeria um presidente-tampão.

‘É o cara’

Seria Fernando Henrique, com certeza. Ele prepararia o caminho rumo ao porvir. Michel Temer, porém, poderá seguir até 2018. Aí, a decisão será popular.

Sejamos realistas: ou surge um oportunista de última hora, um salvador da pátria, um vendedor de ilusões, ou corremos o risco de ficar na pasmaceira da política tradicional.

Fernando Henrique é o amálgama do dilema brasileiro. Está velho demais, pode-se argumentar. Bobagem. É o mais espairecido dos velhos políticos. Malgrado sua idade, não perde sua inventividade. É o cara.

Volta, FHC.

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