Caso Rubens Paiva: investigaremos até o fim, diz Cláudio Fonteles

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Publicado quarta-feira, 28 de novembro de 2012 as 11:55, por: cdb

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, recebeu, nesta terça-feira (27), do governo do Rio Grande do Sul, documentos que mostram indícios de que o ex-deputado Rubens Paiva passou pelos órgãos de repressão do Exército, antes de desaparecer em janeiro de 1971. Os papéis estavam em poder do coronel Júlio Miguel Molina Dias, assassinado no início deste mês, em Porto Alegre.

O acervo foi entregue pelo governador gaúcho, Tarso Genro (PT), ao coordenador da comissão, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, em uma solenidade na qual participaram familiares do ex-parlamentar. Atualmente, a CNV investiga o desaparecimento de 183 pessoas durante o regime militar.

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Paulo Fonteles disse, em entrevista à imprensa, que “um documento como esse desmascara aquela versão do Estado ditatorial militar no sentido de que Rubens Paiva, entre tantos outros, eram foragidos. Mas eles foram, sim, mortos nas dependências do Estado”.

Segundo o ex-procurador, com o material em mãos, a comissão investigará o seu conteúdo, o que deve levar a mais questionamentos e repostas. “Esse é um documento fonte que certamente vai mencionar outros documentos e nomes de pessoas. A partir daí vamos desvendando o mistério e revelando a verdade”.

Caso Paiva

Nasceu em 26 de dezembro de 1929, em Santos, Estado de São Paulo, filho de Jaime de Almeida Paiva e Aracy Beirodt Paiva. Casou-se em 1952 com Maria Eunice Facciola Paiva. Diplomou-se Engenheiro Civil em 1954 na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, sendo orador de sua turma. Tinha o registro CREA n° 10.200-A – 6ª Região.

Participou de todos os grandes momentos da vida nacional. Quando universitário, foi Vice-Presidente da União Estadual de Estudantes e depois Engenheiro e Deputado Federal, sendo eleito Presidente da Comissão de Transportes, Comunicação e Obras da Câmara Federal. Foi vice-líder do PTB na Câmara. Foi vice-Presidente da CPI do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), além de suas atividades jornalísticas.

Ativo deputado federal, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da Petrobrás, Rubens Paiva foi cassado pelo Ato Institucional n° 1 em 1964, em decorrência de sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito do IBAD, que apurou o recebimento, pelos generais comprometidos com o golpe militar, de dólares provenientes dos Estados Unidos, em 1963.

No dia 20 de janeiro de 1971, depois de receber um telefonema de uma pessoa que queria lhe entregar correspondência do Chile, sua casa em Ipanema foi invadida, vasculhada e ele levado, em seu próprio carro, para o Quartel da 3ª Zona Aérea e depois para o DOI-CODI/RJ.

Sua casa ficou ocupada e, no dia seguinte, Eunice Paiva, sua mulher, e Eliane, sua filha de apenas 15 anos, foram também levadas ao DOI-CODI/RJ, onde ficaram sem conseguir avistar-se com ele, apesar da confirmação dos agentes do DOI de que ele se encontrava lá. Interrogadas várias vezes, sua filha foi libertada 24 horas depois e sua esposa somente 12 dias após. A acusação que pesava sobre Rubens Paiva era a de manter correspondência com brasileiros exilados no Chile.

O Exército, para justificar o desaparecimento de Rubens, divulgou nota à imprensa informando que ele teria sido resgatado por seus companheiros “terroristas” ao ser transportado pelos agentes do DOI/CODI, em 28 de janeiro de 1971.

Tal versão foi criada, evidentemente, para encobrir o assassinato sob torturas, já que havia testemunha da prisão de Rubens, não só sua mulher e a filha Eliana, mas de outra presa política,Cecília Viveiros de Castro, acareada com Rubens no quartel da 3ª Zona Aérea.

Em seu Relatório, Inês Etienne Romeu diz que um dos carrascos da “Casa da Morte”, em Petrópolis, onde esteve, conhecido como Dr. Pepe, contou-lhe que Rubens morreu lá.

Em 1986, em várias matérias da grande imprensa e, em 08 de abril de 1987, a revista “Isto É”, na matéria “Longe do Ponto Final”, há declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo que afirmava ter visto e atendido Rubens Paiva no DOI-CODI/RJ, quando lá esteve preso, em janeiro de 1971. Declara que Rubens “era uma equimose só” e que no dia seguinte – não sabe precisar o dia – soube que havia morrido.

Com agências

 

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