Caseiro cobra uma indenização milionária

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Publicado segunda-feira, 17 de abril de 2006 as 18:20, por: cdb

Advogado do caseiro Francenildo Costa, Wlicio Chaveiro informou que seu cliente vai pedir à Justiça Federal uma indenização milionária à Caixa Econômica Federal e à revista Época, por danos morais. Chaveiro afirmou, ainda, que a revista, além de divulgar dados sigilosos, teria usado as informações para produzir “uma matéria tendenciosa”, visando incriminar o seu cliente. O advogado ingressou, nesta segunda-feira, com o pedido de indenização na 4ª Vara da Justiça Federal. Ao todo, ele pedirá 50 mil salários mínimos, quantia equivalente a R$ 17,5 milhões à Caixa e 12 mil salários, cerca de R$ 4,2 milhões, para a revista Época.

A movimentação bancária de Francenildo foi usada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci para lançar suspeita sobre o depoimento do caseiro. O vazamento dos dados bancários do caseiro aconteceu depois dele contradizer o então ministro da Fazenda na CPI dos Bingos, ao afirmar que viu Palocci na casa usada em Brasília para fechamento de negócios suspeitos com lobistas e festas com prostitutas. Palocci negou para a CPI ter freqüentado essa casa e também em seu depoimento na Polícia Federal.

Palocci, diante do escândalo, pediu a sua exoneração e foi seguido ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso, que disse ter entregue o extrato bancário do caseiro ao ex-ministro. Para obter o extrato, Mattoso pediu a ajuda do consultor especial da presidência da Caixa Ricardo Schumann, que por sua vez acionou a superintendente Sueli Aparecida Mascarenhas, que transmitiu o serviço para o gerente Jeter Ribeiro de Souza.

Uma comissão interna do banco isentou todos os funcionários da responsabilidade pela quebra do sigilo bancário do caseiro, após a investigação. Para a comissão, os funcionários “agiram no cumprimento de determinação de superior hierárquico, não considerada ilegal”. A Polícia Federal, entretanto, já indiciou Mattoso, Palocci e o assessor de comunicação do ex-ministro, Marcelo Netto, pelos crimes de quebra de sigilo bancário e violação de sigilo funcional. Palocci pode ser indiciado ainda por prevaricação.