Casal da Renascer maquiava contas, acusa vereadora

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Publicado segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007 as 11:39, por: cdb

A vereadora de São Paulo, Lenice Lemos São Bernardo (PFL), expulsa da Igreja Renascer em Cristo sob a acusação de ter embolsado R$ 15 mil em contribuições de fiéis, está acusando o casal Estevam e Sonia Hernandes, de agirem motivados por vingança, por ela ter se recusado a lotear os cargos de seu gabinete entre pessoas indicadas pelos bispos.

A dissidente integrou a cúpula da igreja por 25 anos e se elegeu em 2004 com 45.295 votos, graças ao voto de fiéis da Renascer.

De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, as denúncias mútuas levaram à abertura de um inquérito policial, que nesta semana inicia a fase de depoimentos das testemunhas.

A vereadora entregou à polícia um relatório de 12 páginas, incluindo depoimento de uma ex-secretária dos Hernandes, no qual ela diz que 13 empresas ligadas à igreja maquiavam saldos negativos em operações de factoring efetuadas com cheques do filho mais velho do casal, Felippe Daniel Hernandes, o Bispo Tid.

A mesma ex-secretária, que trabalhava para essas empresas, afirma que era orientada a falsificar a assinatura de Felippe nos cheques para comprar cavalos, pagar mensalidades de financiamentos de imóveis e custear outras despesas, como a manutenção de um haras da família Hernandes.

Lenice Lemos São Bernardo acusa ainda o casal Estevam e Sônia de lançar campanhas de arrecadação chamadas de ‘desafios’, nas quais os bispos pediriam aos fiéis que entregassem cheques preenchidos e assinados para custear despesas da igreja e negociá-los com bancos de factoring. Segundo a vereadora, os líderes dos templos eram pressionados a cumprir metas de arrecadação inatingíveis e ainda tinham de assinar cheques como garantia de que cumpririam os objetivos.

– Os oficiais e bispos ficavam desesperados ao constatar que seus cheques não seriam cobertos, pois os desafios impostos pelo apóstolo eram impossíveis de serem cumpridos – diz a vereadora.