Casa Branca pode ampliar investigação sobre CIA

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Publicado quinta-feira, 2 de outubro de 2003 as 17:08, por: cdb

A investigação para determinar se alguém na Casa Branca passou para a imprensa o nome de uma agente da CIA começa a ganhar vulto e pode ser ampliada, em um momento em que crescem os pedidos para que o caso seja analisado por uma comissão independente. Atualmente, o caso está a cargo do Departamento de Justiça, que examina se funcionários do governo passaram para a imprensa o nome da agente Valerie Plame numa represália por seu marido o ex-embaixador Joseph Wilson, ter denunciado que Washington tinha exagerado na ameaça que representava o Iraque.

Meia dúzia de agentes do FBI especialmente escolhidos, sob o comando do procurador John Dion, começou a rastrear os documentos da Casa Branca e da Agência Central de Inteligência (CIA). Funcionários do departamento de Justiça que quiseram manter o anonimato informaram que a investigação pode ser ampliada a outras instâncias governamentais, como o Pentágono e o Departamento de Estado.

O Departamento de Defesa confirmou hoje que está aguardando uma carta, similar a outras já enviadas pelo departamento de Justiça à CIA e a Casa Branca, para proibir a destruição do material que possa ser relevante ao caso. Os agentes do FBI tentam determinar quais funcionários poderiam conhecer a identidade da agente e que sabiam que se tratava de informação classificada, um número que pode chegar a várias centenas.

Em seguida, tentarão determinar quais desses funcionários entraram em contato com Robert Novak, o jornalista conservador que publicou o nome de Plame numa coluna do jornal “The Washington Post” e que assegurou que a informação tinha sido repassada por “dois altos funcionários”.

Por ser uma investigação das atividades do Governo, o caso está nas mãos do Departamento de Justiça, cujo responsável, John Ashcroft, é um estreito colaborador do presidente George W. Bush, fato que gerou uma forte polêmica. Uma pesquisa elaborada para pelo “Washington Post” e a emissora de televisão “ABC News” indica que sete de cada dez americanos acham que o caso deve ficar com uma comissão independente.

O levantamento revela também que 81% dos consultados consideram o assunto muito grave, sendo que 72% acreditam no envolvimento da Casa Branca no vazamento desta informação. Em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, insistiu hoje que o Departamento de Justiça é perfeitamente capaz de encarregar-se da investigação: “Eles são os que têm que decidir isto e disseram publicamente que todas as opções estão sobre a mesa”.

“Mas é preciso ter em conta que o Departamento de Justiça, os profissionais de carreira que supervisionam a investigação, querem chegar ao fundo do assunto”, declarou o porta-voz.

Mas o líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, respondeu hoje que não se deve “aceitar um primeiro não como resposta”. A lei americana prevê a criação de uma comissão independente caso o procurador-geral considerar a possibilidade de uma investigação gerar um conflito de interesses no Departamento de Justiça ou se existirem “circunstâncias extraordinárias” que recomendam sua nomeação “em interesse do público”.

O porta-voz do Departamento de Justiça, Mark Corallo, informou hoje que esta instância “não fechou nenhuma porta” e “todas as opções legais seguem abertas”. O nome de Valerie Plame apareceu na coluna de Novak no dia 14 de julho, pouco depois de seu marido ter escrito um artigo no “New York Times” criticando o Governo de Bush por exagerar nas ameaças que representavam as supostas armas de destruição em massa no Iraque.

Wilson tinha viajado para Níger em 2002, a pedido da CIA, para investigar o que havia de certo nas denúncias de que o Iraque tinha tentado comprar urânio enriquecido desse país africano. O ex-embaixador no Gabão e Iraque concluiu que a acusação era infundada, mas Bush omitiu essa informação em seu discurso sobre o Estado da União em janeiro. Depois da publicação do artigo no “New York Times”, a Casa Branca se viu obriga