Carlos Ortega ainda não pediu asilo à Costa Rica

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 21:46, por: cdb

O líder sindical venezuelano, Carlos Ortega, protegido pelo “asilo diplomático” na embaixada da Costa Rica em Caracas, ainda não pediu “asilo territorial” a esse país, informou neste domingo, um membro de sua defesa.

“O asilo territorial não foi pedido. Quando for, se é que se vai pedir, porque existem várias possibilidades, ele acontecerá”, disse aos jornalistas o advogado Omar Estacio, minutos antes de se reunir com Ortega na embaixada costarriquenha.

Estacio afirmou que o presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) e ferrenho opositor do Governo Hugo Chávez, “tem muitas possibilidades”, desde “ficar” na Costa Rica a “tomar outros caminhos, mas ainda não decidimos em tal sentido”.

Na sexta-feira (14) passada, o Governo de Chávez anunciou que concederá sem problemas o salvo-conduto para uma eventual saída do país do presidente da CTV.

Ortega é foragido da Justiça local desde 23 de fevereiro e chegou sexta-feira (14) passada na embaixada da Costa Rica para pedir “asilo”.

Um tribunal de Caracas ordenou a detenção de Ortega aceitando um pedido da Procuradoria Geral venezuelana, que lhe acusa de vários supostos delitos relacionados com a recente greve geral de 63 dias.

Essa greve foi convocada pela Coordenadoria Democrática, aliança dos grupos sindical e patronal, partidos e associações civis de oposição, para forçar a renúncia de Chávez ou aceitar a antecipação das eleições, uma possibilidade não prevista na Constituição.

A Procuradoria também acusou outros sete líderes opositores pela promoção da greve, todos foragidos, exceto o presidente da patronal Fedecámaras, Carlos Fernández.

Fernández está em prisão domiciliar desde o dia 23 de fevereiro e espera um julgamento por “rebelião civil e instigação ao crime”.

A oposição venezuelana qualifica como “perseguição política” os processos abertos contra seus principais líderes, enquanto que o Governo disse que a abertura desses casos foi uma decisão “independente” do Poder Judicial.

Chávez aplaudiu essas medidas judiciais e exigiu “justiça e prisão para os terroristas e sabotadores”, como chama os responsáveis pela greve geral, que custou ao país perdas de mais de 7 bilhões de dólares, segundo o Ministério das Finanças.