Caráter do homem não evolui com os bits do passado, destaca palestrante

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Publicado quinta-feira, 29 de novembro de 2012 as 18:12, por: cdb

Uma abordagem filosófica das escravidões da vida moderna marcou a palestra sobre “A efetividade da norma ante a complexidade do mundo contemporâneo”, do professor Álvaro Cesar Iglesias, proferida nesta quinta-feira (29) durante o IX Seminário Ítalo-Ibero-Brasileiro de Estudos Jurídicos.

O evento é realizado no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e prossegue até sábado (1º), com a sessão de encerramento presidida pela ministra Eliana Calmon.

A palestra discutiu o mundo dos celulares, do consumo e da obsolescência, em que o ter supera o ser. Tratou da escravidão imposta pela tecnologia, em que a reflexão e os valores instituídos pela família ficam em segundo plano. “O caráter do homem não evolui com os bits do passado”, lembrou o autor. Ele se referia à necessidade de investir em um saber transformador, que faça o homem buscar um tipo de felicidade realizadora.

Nos valores em que o ser humano está imerso, segundo Iglesias, as possibilidades de escolha ficam comprometidas, o que implica negativamente no conceito de felicidade. O palestrante falou do esforço do homem e do direito para conjugar os valores da igualdade e da liberdade individual, que tendem, por suas essências, a caminhar em direções opostas, ou seja, no sentido de uma restringir a outra.

Felicidade

Diante da complexidade do mundo moderno, o palestrante acredita que é difícil para o homem identificar aquilo que realmente faz sentido. A felicidade, dentro desse contexto, não é unicamente satisfazer os desejos humanos, mas aprender a controlar as necessidades, que, instintivamente, corroboram a sociedade do consumo e se assentam nela. Um exercício que só se efetiva por meio da educação.

Ele fala de uma educação transformadora. Não a educação em que investiram os tigres asiáticos, “no sentido de colocar a sociedade anos à frente do seu tempo e com foco no consumo”. Para ele, o desafio está em ensinar os jovens a pensar e fazer escolhas, de forma a fazer com que a felicidade se torne mais tangível. “Não faz sentido correr atrás de um progresso que limite as pessoas enquanto gente”, asseverou.

Iglesias reclama do mundo em que as crianças são educadas por meio de uma cultura de entretenimento, especialmente pelos meios de comunicação. “Cedemos a nossa liberdade com muita naturalidade”, criticou. Na sua visão, os princípios mais elementares do direito podem auxiliar na busca dessa liberdade, já que a própria ciência existe em função das circunstâncias sociais.

O professor Álvaro Cesar Iglesias é presidente do Colégio Brasileiro da Faculdade de Direito e do Conselho Diretor da PUC, em Campinas (SP). Presidiu a mesa o professor Fabiano Ferraz, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).