Candidatura de mulheres ameaça eleição de direitista no Chile

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Publicado sexta-feira, 27 de junho de 2003 as 18:26, por: cdb

As aspirações presidenciais do representante da oposição de direita no Chile, Joaquín Lavín, até agora favorito nas enquetes de opinião, são ameaçadas, por enquanto, pela possível candidatura de duas mulheres.

Segundo uma pesquisa da consultoria privada Ipsos-Search Marketing, se as eleições presidenciais de dezembro de 2005 fossem neste domingo, as ministras Soledad Alvear, das Relações Exteriores, e Michelle Bachelet, da Defesa, superariam por mais de dois pontos percentuais o prefeito de Santiago.

O estudo, divulgado nesta sexta-feira, mostra que Lavín, no entanto, tem mais chances de ser eleito presidente quando colocado em uma situação aberta.

Neste esquema, Lavín tem uma preferência de 29,7 por cento, com mais de 20 pontos de vantagem sobre sua adversária mais próxima, a ministra Bachelet, com apenas 9,3 por cento, segundo a enquete realizada entre maio passado e junho, que entrevistou 500 pessoas da Região Metropolitana (6,2 milhões de habitantes).

O responsável pela pesquisa, Rodrigo de la Riva, explicou que Lavín está melhor posicionado na enquete aberta, pois é o único que formalmente aparece como candidato à presidência.

No entanto, quando são apresentados outros cenários em que Lavín enfrenta outro candidato, Lavín venceria apenas o ministro do Interior, José Miguel Insulza; o chefe da Democracia Cristiana, Adolfo Zaldívar, e o ex-presidente Eduardo Frei.

Mas ao enfrentar a socialista Michelle Bachelet, Lavín acabaria derrotado, com 46,4 por cento dos votos, enquanto o prefeito teria apenas 44,1 por cento.

Num confronto entre Soledad Alvear e Lavín, a chanceler supera o candidato de direita, com 44,7 por cento das preferências, contra 42,5 por cento.

O estudo também mostra que, desde janeiro de 2002, tanto Alvear como Bachelet mostram indícios de percentagens maiores.

O prefeito de Santiago foi derrotado nas eleições presidenciais de 2000 por uma pequena diferença pelo presidente socialista Ricardo Lagos, o terceiro chefe de Estado da Combinação, coalizão que governa desde a recuperação da democracia, em 1990.

Lavín lidera a Aliança pelo Chile, de oposição, integrada pela Renovação Nacional e pela ultraconservadora União Democrata Independente, partidos que sustentaram a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).