Canadá pode aderir a programa de defesa contra mísseis dos EUA

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Publicado quinta-feira, 29 de maio de 2003 as 19:32, por: cdb

Após meses de indecisão e conturbadas relações bilaterais, o governo canadense decidiu nesta quinta-feira discutir com os Estados Unidos sua adesão à criação de um escudo de defesa contra mísseis.

O anúncio deve diminuir as tensões entre o primeiro-ministro Jean Chretien e o presidente dos EUA, George W. Bush, que vão se encontrar em um jantar na Rússia no sábado e participarão de uma reunião de cúpula na França.

Chretien criticou a política fiscal de Bush por três dias seguidos esta semana. Ele também desapontou a Casa Branca ao se opor à guerra no Iraque.

– Estou contente em anunciar que o governo decidiu debater com os Estados Unidos sobre a participação do Canadá na defesa de mísseis balísticos – afirmou o Ministro da Defesa John McCallum ao parlamento.

Ele disse que qualquer acordo visará ao “objetivo (do governo) de proteger os canadenses e preservar o papel central da Norad na defesa e segurança da América do Norte”.

Norad é a sigla em inglês para Comando de Defesa Aerospacial da América do Norte, com sede na montanha Cheyenne, no Colorado.

Os Estados Unidos, que criticam há muito tempo o que consideram um baixo gasto com defesa por parte do Canadá, querem que o país participe do sistema de defesa para abater mísseis balísticos de países como a Coréia do Norte.

A embaixada norte-americana em Ottawa recebeu bem a notícia.

– Achamos que é do interesse tanto dos EUA quando do Canadá melhorar a segurança na América do Norte – afirmou a porta-voz Beth Poisson.

Questionando a utilidade do escudo, o ex-ministro das Relações Exteriores do Canadá Lloyd Axworthy disse que Chretien simplesmente está tentando voltar às boas com Washington.

“Isso se chama reparação”, disse à TV CBC. O porta-voz de Chretien Steven Hogue negou a acusação. “É do nosso interesse. É nossa responsabilidade”, afirmou.

Integrantes dos partidos de esquerda New Democratic e Bloc Quebecois afirmam que o escudo é perigosamente desestabilizador.

“Estou chocado”, disse Libby Davies, do partido New Democratic.

Segundo ele, a iniciativa pode levar à militarização do espaço, algo a que o Canadá se opõe há muito tempo.