Cameron pode ser o ‘Tony Blair’ da oposição britânica

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 7 de dezembro de 2005 as 09:40, por: cdb

Muita gente vê David Cameron, eleito para ser o novo líder do Partido Conservador britânico, como o Tony Blair dos conservadores, ou seja, o político que pode promover reformas capazes de levar a agremiação de volta ao poder. Seus partidários dizem que Cameron, de 39 anos, é exatamente o tipo de político jovem, ambicioso, radical e modernizador que os conservadores precisam para recuperar a preferência dos eleitores.

Ou seja, ele seria a pessoa capaz de remodelar o Partido Conservador para os anos 2000, assim como Blair fez com o Partido Trabalhista na década de 1990. Cameron teria até a sua própria versão de Gordon Brown, o ministro da Economia considerado o braço direito de Blair: o atual porta-voz do partido para políticas econômicas, George Osborne, de 34 anos.

Cameron, que até agora era o porta-voz conservador para a área de educação, conseguiu criar a imagem de um renovador apesar de ter um histórico pessoal que lembra bastante o que tradicionalmente se associa a membros do Partido Conservador. Ele é filho de um financista e estudou na escola de Eton e na Universidade de Oxford, instituições que tradicionalmente formam os integrantes das elites britânicas.

Cameron vive em uma região associada com uma ala do partido no bairro londrino de Notting Hill e tem entre seus passatempos andar a cavalo e caçar, atividades normalmente associadas a conservadores de corte tradicional. Reportagens publicadas recentemente na imprensa britânica dão conta de que Cameron até tem um distante parentesco com a rainha Elizabeth 2ª.

Mas ele tem insistido nos últimos tempos que “o que conta não é de onde você vem, mas para onde você vai”. Ele procura passar a imagem de um sujeito como qualquer outro, que gosta de andar de bicicleta e de rock alternativo. Também tem dito que aprecia uma boa cerveja tradicional britânica e fuma Marlboro Lights, ainda que esteja tentando se livrar deste hábito.

Cameron ingressou no Partido Conservador como um integrante do departamento de pesquisas do grupo em 1988, quando tinha 22 anos. Ele trabalhou nos Ministérios da Economia e do Interior quando os conservadores ainda estavam no poder e escreveu discursos para os primeiros-ministros Margaret Thatcher e John Major. Em 1994, Cameron passou para a iniciativa privada, tornando-se diretor da área de comunicação corporativa da Carlton Communications, cargo que ocupou até 2001.

Naquele mesmo ano elegeu-se para o Parlamento pelo distrito de Witney, nas proximidades de Oxford.O ingresso no gabinete paralelo do Partido Conservador ocorreu em 2004, quando assumiu a coordenação política da agremiação.