Camarote transporta foliões para longe do Carnaval de Salvador

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Publicado sábado, 5 de fevereiro de 2005 as 10:57, por: cdb

Um bar de oxigênio, uma lan house, uma pista de dança e um minispa. Tudo isso, ao lado de toneladas de comida e litros de bebida, cabe dentro de um só camarote em Salvador, transportando seus convidados para longe da típica folia baiana.

O Expresso 2222, considerado a casa do ministro Gilberto Gil, organizado por sua mulher, Flora Gil, é o primeiro do percurso Barra-Ondina, na avenida litorânea, localizado no mesmo prédio de um outro grande camarote, este chamado Oceania.

Os números do cardápio dão a dimensão da festa privativa. Só de acarajés, embora feitos da metade do tamanho normal, são consumidos cerca de 1.500 por noite no camarote, além de 500 cocadas. Mais de 500 pizzas são servidas diariamente, de nove tipos diferentes, e 1.000 pratos de macarronada, que pode ser feita pelo próprio cliente. Entre as bebidas, 600 caixas de cerveja e refrigerante, mais 40 caixas de uísque e vodka.

“Para você ter uma idéia dos números, calculamos de quatro a cinco sorvetes (picolés) para cada pessoa que passa por aqui”, disse Mônica Badaró, na produção do camarote há sete anos. Há também outros dois pratos principais, o camarão ao molho de queijos e o filé ao molho funghi.

Segundo ela, durante uma noite passam por lá cerca de 2.000 convidados, espalhados pelos dois andares do espaço de 1.500 metros quadrados. O camarote parece um labirinto, com corredores, escadas e três largas e disputadas varandas.

São nesses espaços ao ar livre onde os convidados se espremem para ver os trios elétricos passarem, como foi o caso do trio que leva o mesmo nome do camarote. Gilberto Gil passou em cima do caminhão de som, dividindo os vocais com sua filha Preta Gil e com Daniela Mercury.

Perto de uma das varandas, foram instalados seis computadores com acesso à Internet e com uma vista privilegiada para a avenida. Na hora que Gil passava, todos estavam ocupados, muitos deles em páginas de serviço de email.

“Gosto de usar o Messenger (serviço de mensagens instantâneas) para contar às pessoas que não vieram como estão as coisas aqui”, disse Suzane Mota, 39 anos, que frequenta a festa de Salvador há mais de 10 anos, quando nem existiam os camatores.

“O Carnaval cresceu muito e esses espaços te dão a chance de curtir de forma mais confortável, as pessoas são mais selecionadas.”

A novidade que mais chamou atenção de seu marido, Ricardo Mota, foram oito computadores, instalados em outro espaço, onde crianças e jovens brincavam com jogos eletrônicos em rede, sistema conhecido como lan house. “Com aqueles fones, eles nem pareciam que estavam num Carnaval”, comentou.

No mesmo setor, três mulheres relaxavam com massagens de 15 minutos — uma recebia nos pés, outra no pescoço e a última no corpo inteiro. Um minispa foi instalado pela primeira vez no Expresso 2222 e prometia atender uma média de 130 pessoas por noite.

Também para “relaxar” era o “bar de oxigênio,” montado ao lado da pista de dança. Duas meninas dançavam no “balcão” enquanto usavam no rosto um cateter de hospital, inalando o ar misturado com aromas como menta e laranja.

Depois de ver Gil e Daniela passar, as varandas esvaziam um pouco, e muitos vão procurar os bares novamente, os serviços de maquiagem ou mesmo a pista de dança, que não parou um minuto sequer durane a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. Nando Reis foi uma das atrações do espaço.

O trio elétrico segue seu caminho, um percurso que pode demorar até seis horas. Antes, no entanto, mais um camarote obriga o trio parar. É o de Daniela Mercury, que comemora 10 anos neste Carnaval.

Sem tantas novidades e regalias como o Expresso 2222, o camarote de Daniela é regado a champagne e bebidas feitas com cachaça. Como mimo para os convidados, há uma máquina de manicure personalizar uma das unhas com uma foto da própria cantora.