Câmara inicia segundo turno de votação para novo presidente

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Publicado terça-feira, 15 de fevereiro de 2005 as 05:28, por: cdb

A Câmara dos Deputados iniciou, na madrugada desta terça-feira, o segundo turno de votação para seu novo presidente. Enquanto o candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), bateu na tecla do respeito à tradição da proporcionalidade, Severino Cavalcanti (PP-PE) procurou reforçar o discurso de independência.

– Não se defende uma instituição sangrando a instituição. Não se defende uma instituição rompendo as regras costumeiras dessa instituição. –  disse Greenhalgh em seu discurso antes do início da nova votação.

Pela tradição da Câmara, o partido de maior bancada, hoje o PT, indica o presidente. Mas as regras não impedem candidaturas avulsas.

No primeiro turno, o deputado paulista teve o apoio de 207 dos 510 deputados presentes em uma votação que demorou sete horas. Severino conseguiu 124 votos. Para vencer já na primeira rodada, um deputado precisaria da maioria absoluta dos presentes dos votantes.

– Eu preciso deste voto, que não tem cabresto e não está subordinado a ninguém.- disse Severino. Entusiasmado por estar no segundo turno, citou diversos partidos dizendo que teria maioria em todos eles.

Já Greenhalgh procurou separar eventuais ressentimentos com o governo ou mesmo ações da oposição da disputa na Câmara.

– Quero separar agora essa discussão entre governo e Parlamento (…) quem quiser fazer oposição ao governo, não use, por favor, esse segundo turno para desaguar o voto de protesto. – disse Greenhalgh.

Depois de prometer respeitar os direitos da minoria e muito empenho na Câmara, Greenhalgh aproveitou para citar Virgílio Guimarães (MG), candidato petista dissidente, que teve 117 votos no primeiro turno.

– Quero encerrar (…) proclamando em alto e bom som uma espécie de reencontro histórico entre a candidatura do companheiro Virgílio, do nosso partido, com a nossa candidatura. Agora somos um petista só que estamos aqui.

Severino, por sua vez, cometeu alguns equívocos durante sua intervenção, mencionando “emendas provisórias” no lugar de medidas provisórias e citando o Partido Libertador, para logo corrigir como Partido Liberal.

Dizendo ser “um homem de Cristo”, o deputado pernambucano afirmou que não precisava mais dizer o que irá fazer se for eleito, ou quem é ele, porque todos o conhecem.

– Eu chegar aqui para dizer que sou bonzinho agora, eu não preciso dizer.