Cacique Mário Juruna morre aos 59 anos

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Publicado quinta-feira, 18 de julho de 2002 as 01:35, por: cdb

O cacique xavante Mário Juruna, ex-deputado federal, morreu na noite desta quarta-feira, em Brasília, em decorrência de uma diabete crônica, aos 59 anos de idade.

Juruna, que nasceu em 3 de setembro de 1942, era filho do cacique xavante Apoenã e estava internado há uma semana no Hospital Santa Lúcia. Na última segunda-feira, havia sido transferido para a Unidade de Terapia Intensiva.

O corpo do cacique será velado durante a madrugada desta quinta-feira na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília.

Pela manhã, um avião da Funai transportará o corpo de Juruna até sua aldeia, a Namunkurá, no município do Barra do Garça, em Mato Grosso, onde será enterrado.

O cacique foi eleito deputado federal pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista) do Rio de Janeiro em 1983 e ocupou o cargo por um mandato, até 1987. Ficou conhecido como o parlamentar que andava com gravador em punho para registrar, segundo ele, “tudo o que o branco diz”, referindo-se às promessas dos políticos.

Por pouco não teve o mandato parlamentar cassado, por dizer que “todo ministro é corrupto”.

Juruna já usava o gravador mesmo antes de ser eleito, quando percorria os gabinetes da Funai, em Brasília, lutando pela demarcação xavante e denunciando o extermínio dos índios.

O cacique foi responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio, uma das poucas da Câmara Federal, o que significou o reconhecimento formal da causa indígena.

O primeiro contato com os brancos aconteceu de forma inusitada: aos 17 anos, quando alistou-se no serviço militar.

Juruna era pai de 12 filhos, frutos de dois casamentos, e estava separado de sua segunda esposa.