Bush:”Vamos enfrentar o perigo para retirar do poder o protetor do terror”

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 08:33, por: cdb

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que “existem poucas razões para acreditar que (o presidente do Iraque) Saddam Hussein vai se desarmar”.

Em seu pronunciamento semanal pelo rádio, Bush advertiu os americanos sobre os perigos atuais e pediu que os outros países cumpram suas promessas de tornar o Iraque um país mais seguro.

Bush se encontra no domingo com os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e Espanha, José Maria Aznar, no arquipélago português de Açores.

Os líderes vão discutir a situação do Iraque, mas, segundo correspondentes, a reunião não deve produzir uma solução diplomática para a questão.

Declaração conjunta

Os governos da França, Rússia e Alemanha divulgaram uma declaração conjunta reiterando que acreditam que não há justificação para uma ação militar contra o Iraque e que as inspeções de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) estão funcionando.

Os três países pediram uma reunião de ministros do Exterior no Conselho de Segurança da ONU na terça-feira para discutir o que eles chamaram de cronograma realista para o desarmamento do Iraque.

Mas, em seu pronunciamento de sábado, o presidente George W. Bush disse que “as nações livres têm dias críticos à frente”.

“Os governos devem mostrar agora se suas declarações de compromisso com a liberdade e a segurança são apenas palavras ou se são convicções que eles estão prontos para defender”, disse.

“O governo dos Estados Unidos e a coalizão que nós lideramos não têm dúvidas. Nós vamos enfrentar um perigo crescente, para nos proteger, para retirar do poder um patrocinador e protetor do terror, e para manter a paz no mundo”, acrescentou Bush.

Sinais e manifestações

Entre os sinais de que as alternativas diplomáticas estão se esgotando, fontes americanas afirmaram que os planos militares para uma possível invasão no Iraque estão em seus estágios finais

Autoridades do Departamento de Defesa americano afirmam que um bombardeiro de longo alcance B-1B foi utilizado pela primeira vez desde 1998 contra alvos iraquianos na zona de exclusão aérea declarada por Estados Unidos e Grã-Bretanha no sul do Iraque.

De acordo com o governo americano, o bombardeiro atingiu radares iraquianos no extremo oeste da zona de exclusão aérea, principal alvo das últimas operações militares dos Estados Unidos na região.

O Pentágono acredita que o local poderia ser utilizado pelo Iraque para esconder mísseis Scud para um possível ataque a Israel no caso de um conflito armado contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Mesmo com a mobilização militar, manifestantes contra a guerra voltaram às ruas de várias cidades do mundo nesse sábado.

Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas na Nova Zelândia, Austrália, Coréia do Sul, Japão, Tailândia, Vietnã, Malásia e Índia.

Centenas de milhares de pessoas marcharam contra a guerra também na Itália, Espanha e França.

As manifestações pela paz também estão ocorrendo em várias cidades dos Estados Unidos.