Bush tenta acalmar aliados e buscar apoio para possível guerra

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 20:21, por: cdb

Com sua abrangente, mas ainda não confirmada acusação de que Saddam Hussein “ajuda e protege terroristas, incluindo membros da Al-Qaeda”, o presidente realizou seu mais duro esforço na noite da última terça-feira para convencer relutantes aliados e ansiosos americanos de que a guerra contra o Iraque pode ser inevitável, e é a melhor forma de proteger a nação.

Ao mesmo tempo, ao delinear um ambicioso esforço para remodelar o sistema de saúde e construir “uma economia que cresce rápido suficiente para empregar todos os homens e mulheres que buscam um emprego”, Bush tentou se proteger das acusações de indiferença política que destruíram a presidência de seu pai depois do sucesso da Guerra do Golfo, há uma década.

Ele falou sobre a necessidade da criação de mais programas para o tratamento de viciados em drogas, mentores para crianças e novos esforços para combater a Aids na África.

Mas o centro de um discurso destinado para a América e Europa Central foi uma cuidadosa campanha para construir apoio para um ataque contra o Iraque com o intuito de desarmar o país, e pressionar os aliados americanos a participarem da campanha.

Houve a promessa de evidências detalhadas a serem apresentadas pelo secretário de Estado Colin L. Powell, mas um claro alerta de que “confiar na sanidade de Saddam Hussein não é uma estratégia nem uma opção”.

“Hoje, o mais sério perigo na guerra contra o terrorismo, o pior perigo para os EUA e o mundo, são os regimes ‘fora-da-lei’ que buscam e possuem armas químicas, biológicas e nucleares”.

Como Franklin D. Roosevelt, que usou seu discurso do Estado da União, em 1941, para proclamar as “Quatro Liberdades” consideradas essenciais para um país perto da Segunda Guerra Mundial, Bush assegurou o público que a crença americana “nos coloca no mundo para ajudar os aflitos, defender a paz, e perturbar os planos dos homens do mal”.

Como Lyndon B. Johnson, que insistiu em seu discurso de 1966 que a nação era “suficientemente poderosa para buscar nossos objetivos no resto do mundo e ainda construir uma Grande Sociedade em casa”, Bush disse, “Nós iremos responder a cada perigo e a cada inimigo que ameaça o povo americano”.

Fred I. Greenstein, um acadêmico da presidência em Princeton, afirmou, “Se for possível andar em diferentes cordas de uma só vez, ele andará”.