Bush se sai bem nas urnas e ganha fôlego para fazer guerra

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Publicado quarta-feira, 6 de novembro de 2002 as 09:56, por: cdb

O presidente George W. Bush saiu como o vencedor das eleições parlamentares nos Estados Unidos, depois que o Partido Republicano ganhou o controle do Senado e manteve a maioria na Câmara dos Representantes.

A vitória de Jeb Bush, o irmão mais novo do presidente – reeleito governador da Flórida com uma margem muito maior do que a prevista – serviu como um bônus.

O sucesso dos republicanos levou um analista do Partido Democrata a colocar uma lata de lixo na sua cabeça durante um programa de televisão sobre o resultado do pleito, quando uma onda de elogios era feita ao presidente Bush.

O ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, disse: “O presidente falou com o povo e funcionou. Ele triunfou. Ele é um presidente em que as pessoas têm fé.”

Vitórias importantes

Os democratas terminam essas eleições devastados e quase sem líder. Eles ficaram atrás do presidente em relação à chamada guerra contra o terrorismo e ao Iraque, ainda que muitos americanos estejam em dúvida sobre uma ação militar contra Saddam Hussein.

A lista de resultados dos republicanos começou a ganhar outras vitórias no início da noite de terça-feira.

Elizabeth Dole, mulher do ex-senador e candidato presidencial Robert Dole, ganhou uma cadeira no Senado pela Carolina do Norte. John Sununu, que vem de uma outra família republicana – seu pai era o chefe de pessoal do ex-presidente George Bush -, venceu em New Hampshire.

E também houve uma grande decepção para a oposição em Geórgia, onde o congressita Saxby Chambliss derrotou o senador democrata Max Cleland.

Naquela disputa, o tema da segurança nacional era importante. Cleland, que perdeu duas pernas e um braço na Guerra do Vietnã, foi acusado de não apoiar o presidente.

A vitória republicana no Senado foi selada quando o democrata Jean Carnahan foi derrotado no Missouri.

A jogada de Bush

A história das eleições parlamentares se tornou uma história sobre o presidente. Ele correu o país, arriscando a sua reputação, mas incentivando os companheiros de partido.

O senador John McCain, um velho rival de Bush, disse: “Nós temos que dar crédito ao presidente Bush. Ele fez um ótimo trabalho.”

James Carville, o democrata que colocou a lata de lixo na cabeça, afirmou estar procurando por uma jogada alternativa, sem conseguir encontrá-la.

Os democratas, ele disse, “precisam de uma mensagem nova”. Talvez ele possa discutir o assunto com a sua mulher, Mary Matalin, que é uma funcionária do gabinete do vice-presidente Dick Cheney.

Bush parece ter garantido a muitos americanos – ainda que, com certeza, não a todos – que ele pode ter a confiança deles em épocas de medo em relação a ações extremistas e à possibilidade de uma ação militar contra o Iraque.

Ele conseguiu fazer com as preocupações com a economia não atrapalhassem o sucesso dos republicanos.

O analista político Tom Mann, da Instituição Brookings em Washington, disse que o resultado dessas eleições teria pouco impacto na política exterior.

Mas o resultado pode, sim, ter um impacto em George W. Bush, aumentando a sua confiança em si mesmo, e, qualquer que seja a opinião de seus críticos nos Estados Unidos ou no exterior, ele está no caminho certo.