Bush promete aproximação com Eduardo Duhalde

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 21:45, por: cdb

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quinta-feira que o país vai buscar manter uma relação estreita com o novo governo da Argentina. Em uma carta enviada a Buenos Aires, Bush disse que ele e seus assessores vão continuar acompanhando de perto os acontecimentos no país sul-americano.

A Argentina colocou em prática nesta quinta-feira a suspensão do pagamento de sua dívida externa. O calote foi anunciado oficialmente no final de dezembro. O governo deixou de pagar US$ 28 milhões em títulos da dívida, que já totaliza US$ 141 bilhões. Esses títulos venciam nesta quinta-feira.

Os argentinos estão investindo suas economias em ações, propriedades e jóias para evitar perdas com a provável desvalorização. O índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, abriu com alta de 4%. A paridade do peso argentino com o dólar é fixada por lei e já dura dez anos. Para desvalorizar a moeda nacional, o governo precisa ter um projeto aprovado pelo Congresso. Nesta quinta-feira, deixou de vigorar regra fixada pelo Banco Central que obrigava os bancos a manterem reservas paritárias de dólares e pesos.

O presidente Duhalde prometeu à população proteger os depósitos em dólar, que estão presos nos bancos desde a imposição de limites para saques bancários no país. A especulação na Argentina é que o, uma vez desvalorizado, peso teria seu valor fixado a uma cesta de moedas, entre elas o euro, o iene e o real.

O economista Martin Redrado – da Fundación Capital, um centro de estudos econômicos da Argentina – disse que o plano econômico que está sendo formulado pela equipe de Duhalde é “um pulo para o desconhecido”. Segundo ele, Duhalde vai adotar uma política econômica mais protecionista que seus antecessores. Quando aceitou o cargo, o presidente criticou as políticas econômicas liberais que vêm sendo implantadas no país.