Bush e Blair discutem situação no Iraque

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Publicado quinta-feira, 25 de maio de 2006 as 11:15, por: cdb

O presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, devem conversar sobre o Iraque, em Washington, nesta quinta-feira. A reunião acontece um dia depois de o novo premiê do país árabe ter dito que as forças iraquianas poderiam assumir a responsabilidade pelas ações de segurança até o final de 2007.

Bush e Blair, os dois maiores aliados na invasão do Iraque em 2003, não devem anunciar nenhum cronograma para a retirada de seus 140 mil soldados (a maior parte deles norte-americanos) do território iraquiano.

Mas, diante de pressões internas alimentadas por uma guerra cada vez mais impopular, os dois governos estão ansiosos para realizar avanços no Iraque e começar a retirar seus soldados dali.
Eles contam com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al Maliki, empossado no sábado passado à frente de um governo de unidade nacional, para conter a guerrilha e a violência sectária responsáveis pela morte de milhares de pessoas desde deposição do ditador Saddam Hussein.

Em mais um sinal do duro desafio com que Maliki se depara, homens armados feriram gravemente uma autoridade importante do Ministério de Defesa, em Bagdá, no que parece ser outro ataque realizado em meio a uma campanha cujo alvo são membros do governo iraquiano aliado dos EUA.

O general Khalil Al Ibadi, encarregado do suprimento de comida das Forças Armadas, e o motorista dele foram atacados quando saíam para o trabalho, um dia depois de uma outra autoridade importante das forças de segurança ter sido morta na capital iraquiana.

Dois meses atrás, um franco-atirador acertou na cabeça o comandante de uma divisão iraquiana em Bagdá. Dez dias depois, uma bomba atingiu um comboio do chefe de gabinete das Forças Armadas, general Babakir Zebari, que não estava ali no momento do ataque.

<b>POSTOS AINDA VAGOS</b>

Maliki ainda tem de decidir sobre quem serão os chefes dos Ministérios do Interior e de Defesa, cargos cruciais para garantir a estabilidade do país. Essas vagas continuam em aberto devido a disputas entre os xiitas, a minoria sunita e os curdos presentes no governo de coalizão.

Apesar disso, os religiosos xiitas divulgaram declarações otimistas a respeito da polícia e do Exército iraquianos, dizendo, na quarta-feira, que seriam capazes de assumir as operações de segurança no país dentro de um ano e meio.

Autoridades norte-americanas e britânicas discordaram de tais previsões, afirmando que o que acontecer no Iraque daqui para frente determinará a amplitude da presença deles ali.

<i>Acho que os senhores não vão escutar o presidente ou o primeiro-ministro dizerem que estaremos fora dali dentro de um ano, dois anos, quatro anos </i> afirmou Tony Snow, porta-voz da Casa Branca, a respeito do encontro entre Bush e Blair.

Analistas mostram ter dúvidas sobre a capacidade das forças de segurança iraquianas, que deve contar com 325 mil integrantes em dezembro, de assumir todas as responsabilidades pela área de segurança em um futuro próximo.

– Os soldados rasos de ambas as forças não estão nem treinados o suficiente para ser eficientes sozinhos e nem são suficientemente leais ao governo nacional para superar as divisões sectárias – afirmou John Chipman, diretor-geral do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.

Ataques diários realizados por simpatizantes de Saddam, militantes da Al Qaeda, milícias de partidos e gangues de criminosos transformaram o Iraque em um campo de morte.