Bush e Blair: convite do Iraque à ONU é manobra de adiamento

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2003 as 21:49, por: cdb

O presidente norte-americano George W. Bush e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha Tony Blair disseram nesta sexta-feira, em entrevista à imprensa, na Casa Branca, que o novo convite do Iraque aos inspetores de armas da ONU é outra tática de adiamento do regime de Saddam Hussein.

Na entrevista, indagado sobre a questão de uma nova resolução da ONU para o Iraque, Bush disse que acolheria favoravelmente tal iniciativa se pudesse contribuir para enfatizar a mensagem de que a comunidade internacional está decidida a desarmar o regime de Saddam Hussein.

“Será recebida com beneplácito se for outro sinal de que estamos determinados a desarmar Saddam Hussein”, disse Bush na entrevista que se seguiu a sua reunião com Blair.

Antes da reunião, Blair havia declarado que apoiaria uma segunda resolução do Conselho de Segurança da ONU antes do início de uma ação militar contra o Iraque.

Blair acrescentou, contudo, concordar com a posição de Bush de que o tempo de Saddam Hussein está em vias de esgotar-se/

Na entrevista coletiva na Casa Branca, em resposta à indagação sobre a falta de cooperação do governo iraquiano com os inspetores da ONUl, o chefe do governo britânico disse que “o importante é que acomunidade internacional se una outa vez e deixe totalmente claro que é inaceitável”.

“É um teste para a comunidade internacional, não só para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha”, disse Blair, lembrando que a última resolução da ONU dizia expressamente que haveria sérias conseqüências se o Iraque não colaborasse com os inspetores de armas.

Coalizão internacional

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, visita os Estados Unidos a partir desta sexta-feira para discutir com o presidente norte-americano, George W. Bush, o próximo passo em relação ao Iraque.

O encontro está sendo descrito por analistas como um “conselho de guerra” que concluirá os planos da nova ação militar no Golfo Pérsico.

A expectativa é de que Blair tente convencer Bush a formar uma coalizão internacional mais ampla o possível – para tal, contando com o apoio de mais uma resolução das Nações Unidas.

A reunião, que se estenderá até sábado, acontece em meio à queda no apoio dos britânicos a uma ação unilateral contra o Iraque.

Uma pesquisa realizada pelo instituo ICM para o Daily Mirror e a GMTV indicou que 43 por cento dos entrevistados são contra a guerra em quaisquer circunstâncias e 41 por cento só a apoiariam sob sanção da ONU.

Blair sempre defendeu a adoção de uma segunda resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorizasse explicitamente o uso de força.

Convite iraquiano
No Iraque, assessores do presidente Saddam Hussein convidaram os chefes dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix e Mohammed ElBaradei, a manter conversações em Bagdad antes de apresentarem seu próximo relatório ao Conselho de Segurança, em 14 de fevereiro.

O assessor presidencial Amer al-Saadi disse que o encontro, previsto para o dia 10, terá o objetivo de “aumentar a cooperação e transparência e discutir juntamente os métodos de verificação do desarmamento”.

Blix, de sua parte, não escondeu que gostaria que sua equipe tivesse mais tempo para realizar o trabalho no Iraque.

Em entrevista à emissora britânica Channel 4 News, Blix disse que se ainda não oferecem cooperação total, os iraquianos ainda podem fazê-lo e que seria “estranho” encerrar o processo de inspeções após apenas dois meses de trabalho, uma vez que os técnicos da ONU esperaram quatro anos para poder voltar ao país do Golfo.

Na quinta-feira à noite, Blair disse acreditar que o prazo para o início de qualquer ação militar deveria depender dos avanços alcançados pelos inspetores de armas.

“O fator que deve determinar nossa ação militar e seu início é a justiça do caso e também se o processo da ONU, por meio de seus inspetores, pôde funcionar”, declarou Blair em Madrid, após conversações com o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.