Bush deve aumentar apoio à dissidência cubana

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Publicado sábado, 4 de outubro de 2003 as 20:06, por: cdb

O Governo norte-americano aumentará seu apoio ao movimento opositor em Cuba para ajudá-lo a impulsionar um processo de transição política na ilha, anunciou neste sábado a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

– Vamos tentar conseguir mais fundos para destinar a esse esforço. Depois da última onda repressiva (em Cuba), a nossa resposta é que deve ser feito mais – disse neste sábado Adolfo Franco, subdiretor para América Latina e o Caribe da Usaid.

Franco participou neste sábado como orador em um seminário sobre as Relações EUA-Cuba, organizado pelo Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-americanos da Universidade de Miami, sul da Flórida.

Desde 1977, esta agência destinou US$ 26 milhões para aumentar na ilha o fluxo de informações atualizadas sobre democracia, direitos humanos e liberdade, segundo cifras desse organismo. “Não estamos financiando com dinheiro o movimento opositor, mas com remédios, material de apoio, equipamentos de fax e papel, entre outros insumos”, apontou Franco.

De acordo com ele, a dissidência foi ganhando espaço na sociedade civil, apesar da repressão do governo cubano, e, assim, os EUA acreditam que a luta deste movimento deve ser apoiada.

– O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que é importante apoiar os dissidentes, a sociedade civil e todas as pessoas que estão lutando para mudar Cuba a partir de Cuba – ressaltou o funcionário americano.

Franco assinalou também que a Usaid tem como objetivo “fortalecer, apoiar e atender às necessidades deste crescente movimento cubano”. Além disso, a agência teria enviado à ilha mais de 68 toneladas de alimentos e medicamentos aos familiares dos presos políticos e a “outras vítimas da repressão”. E teria ainda fornecido À sociedade civil cubana 10 mil rádios de onda curta e quase dois milhões de livros e outros materiais de notícias.

O funcionário citou também o papel da “Usaid e uma transição futura em Cuba”, durante seu discurso ante cubano-americanos favoráveis à manutenção de sanções econômicas impostas à ilha há mais de 40 anos pelo governo dos Estados Unidos.

Uma vez geradas as mudanças políticas em Cuba, explicou Franco, essa agência entraria em contato com o governo de transição para analisar ações que acelerem a assistência humanitária e fundar os alicerces para um desenvolvimento econômico sustentável. “Nós temos as ferramentas e a experiência para ajudar Cuba a romper com o ciclo da pobreza”, apostou o subdiretor da Usaid.

Por outro lado, Franco garantiu que não ditarão “aos cubanos as eleições que devem fazer, não exigiremos que sigam nenhuma ideologia em particular ou doutrina partidarista”. “Nem vamos incentivar os cubanos a aceitarem uma simples sucessão de poder de um ditador a outro. Fidel e Raúl Castro devem deixar o poder”, defendeu Franco.