Bush dará ultimato a Saddam em discurso nesta segunda-feira

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 15:26, por: cdb

Aumentando as indicações de que uma guerra no Iraque está próxima, a Casa Branca informou que o presidente Bush discursará ao país essa noite.

O presidente marcou seu discurso um dia depois de a ONU ser aconselhada por Washington a retirar seus inspetores do Iraque. Relatos de Bagdá indicam que os inspetores estão seguindo as recomendações.

Em Washington, o secretário de Estado Colin L. Powell adiantou o discurso do presidente, declarando que Bush “dará um ultimato a Saddam Hussein”.

Powell disse que o ultimato deixará claro que a única forma do regime de Bagdá evitar uma ação militar é se “Saddam Hussein e seu bando deixarem o país”.

Em resposta a uma pergunta, o secretário disse que deixaria o presidente dar o ultimato ao ditador iraquiano. E quando perguntado se o líder iraquiano poderia aceitar “qualquer forma de desarmamento” a esta altura para “salvar sua pele”, Powell nem mesmo mencionou o desarmamento em sua resposta.

“O tempo para a diplomacia acabou”, declarou Powell. “Eu não consigo pensar em nenhuma atitude diplomática da parte de Saddam”.

Na ONU, os EUA, Grã-Bretanha e Espanha, percebendo que não terão o apoio necessário, disseram que não buscarão o voto do Conselho de Segurança aprovando o uso da força contra o Iraque.

O enviado britânico, Jeremy Greenstock, disse que a decisão abre caminho para a ação militar. O enviado culpou os franceses pela decisão, dizendo que eles deixaram clara sua intenção de vetar qualquer resolução.

“Os co-patrocinadores se reservam ao direito de tomar seus próprios passos para garantir o desarmamento do Iraque”, acrescentou.

O enviado francês na ONU, Jean-Marc de la SabliÁere, respondeu dizendo que a “grande maioria” dos membros do Conselho de Segurança é contra o uso da força.

O conselho para os inspetores de armas da ONU se retirarem de Bagdá foi revelado pelo chefe das inspeções de armas nucleares.

Mohamed ElBaradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, situada em Viena, disse que uma recomendação similar também foi dada à agência comandada por Hans Blix, a Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU.

“Eu informei o presidente do Conselho de Segurança imediatamente e pedi aconselhamento”, disse ElBaradei em um relatório ao conselho da agência.

“Eu também informei o secretário-geral da ONU. Eu entendo que o Conselho de Segurança estudará a questão hoje. Naturalmente, a segurança de nossos funcionários continua a ser nossa consideração primária nesse momento tão difícil”.

Em outro sinal da aproximação da guerra, os EUA e a Grã-Bretanha pediram hoje que seus cidadãos deixassem o Kuwait imediatamente, citando o risco de ataques químicos ou biológicos.

ElBaradei, que notou hoje o aumento da cooperação iraquiana com a agência nas últimas semanas, acrescentou: “Eu sinceramente espero que uma resolução pacífica da questão seja alcançada, e que o mundo não enfrente essa guerra”.

Blix, entretanto, pareceu um pouco menos otimista sobre as chances de um conflito militar.

Em uma entrevista para o jornal sueco Aftonbladet, Blix declarou: “Sim, neste momento não parece que temos muitas esperanças. Mas eu não tenho o direito de desistir, e também não quero fazer isso. Nós tentaremos trabalhar até o último minuto”.

Nas Nações Unidas, os membros da agência se preparam para uma sessão consultiva, marcada para essa segunda-feira, para discutir o último relatório de Blix, inspetor-chefe de armas químicas e biológicas.

Uma votação do Conselho de Segurança hoje parece altamente improvável, disseram diplomatas, ainda mais depois de o presidente Bush e os primeiros-ministros Tony Blair da Grã-Bretanha e José María Aznar, terem emitido um ultimato ao Conselho de Segurança dizendo que a diplomacia deve ser encerrada hoje e a guerra seria o próximo passo inevitável.

Oficiais da ONU disseram que os inspetores e funcionários da agência ainda no Iraque podem deixar o país em cerca de 48 horas.

As eq