Bush corre o risco de quebrar os EUA

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 20:30, por: cdb

Da Guerra de Secessão à Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos financiaram seu envolvimento em conflitos militares com aumentos de impostos. Mas o presidente George W. Bush está decidido a mudar a história.

“Isto não tem precedentes. Lançar uma guerra e baixar impostos ao mesmo tempo é algo que nunca se fez”, observou Robert Greenstein, diretor-executivo do Centro de Políticas e Prioridades Orçamentárias.

No final da década de 1960, o então presidente Lyndon Johnson tentou evitar aumentos de impostos quando os Estados Unidos se preparavam para a Guerra do Vietnã, mas não conseguiu fechar as contas, sendo forçado a criar um imposto especial em 1967.

Muitos economistas dizem que sua demora em adotar medidas contribuiu para levar o país à recessão do início da década de 1970.

Bush é ainda mais ambicioso. Não se recusa apenas a aumentar impostos, como quer baixá-los, com uma proposta de corte de 726 bilhões de dólares ao longo de 11 anos.

Mas a contabilidade no vermelho não o assusta. A Casa Branca projeta para esse ano um déficit fiscal sem precedentes, de 304 bilhões de dólares.

A realidade, no entanto, deve ser ainda pior porque esta projeção não incluiu os custos da guerra no Iraque, os quais ninguém consegue precisar exatamente, mas até os mais conservadores estimam que será de dezenas de bilhões de dólares.

Fontes do governo de Washington revelaram que Bush poderia solicitar ao Congresso uma verba extra de entre 50 e 90 bilhões de dólares para a campanha destinada a derrubar Saddam Hussein.

Por esta razão, alguns especialistas alertam que o futuro está sendo hipotecado.

“Isso impõe uma dívida enorme à economia, que deverá custear as próximas gerações nos anos por vir”, advertiu Greenstein.

O governo afirma, por sua vez, que uma rápida vitória no Iraque e a redução da carga tributária estimularão a confiança, o consumo e reverterão a queda no mercado de ações. O resultante crescimento da economia serviria de remédio contra o déficit fiscal.

Esse cenário é sem dúvida alentador, mas muitos se perguntam se é realista.

“O presidente está fazendo uma grande aposta. Acredita que pode baixar impostos e financiar a guerra ao mesmo tempo, fechando as contas com um crescimento forte ou cortando gastos públicos”, disse William Gale, subdiretor do centro de estudo da Brookings Institution. “A evidência sugere que esta aposta é muito arriscada”.