Bush corre o risco de não se eleger

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Publicado domingo, 14 de setembro de 2003 as 22:45, por: cdb

Na semana do segundo aniversário do fatídico ataque às torres gêmeas em Nova York e ao prédio do Pentágono em Washington, o presidente George W. Bush vê-se às voltas com o declínio de sua popularidade junto à opinião pública norte-americana. Ele pode seguir o mesmo caminho do pai, que venceu a Guerra do Golfo I e foi derrotado nas urnas por Bill Clinton, do Partido Democrata. Agora, Bush filho, comandante-em-chefe das forças norte-americanas que derrotaram as tropas fiéis a Saddam Hussein, está pagando um alto preço pela vitória.

Depois de ter enfrentado a oposição da maioria dos membros da Organização das Nações Unidas, que reprovaram o ataque ao Iraque, o presidente dos Estados Unidos vem enfrentando oposição dentro de seu próprio país. A economia estagnada, aliada ao custo elevado do pós-guerra no Iraque – tanto em perdas de vidas humanas (soldados e voluntários) como em verba (o governo esta pedindo US$ 87 bilhoes para serem investidos nas operações do Afeganistão e do Iraque) – e o fato de ter mentido a população formaram um caldo indigesto para o atual presidente.

Mesmo com a população solidária com a tragédia de 11 de setembro de 2001, ocasião na qual George W. Bush aproveitou para faturar politicamente, com direito inclusive a um especial no programa “60 Minutes”, da rede CBS, o presidente vem sentindo que o momento não lhe é favorável, apesar de já ter arrecadado uma soma fantástica para ser gasta em sua campanha eleitoral.

Pior, ainda, nem com todo o aparato de segurança deflagrado após o fatídico ataque tem sido possível afirmar que o país está invulnerável a novos ataques terroristas. Pelo contrário, especialistas afirmam que ainda há falhas no sistema de segurança pelas quais os terroristas poderiam e/ou poderão agir num novo ataque que, especula-se, pode estar mais próximo do que se imagina.

Aproveitando-se desse momento de hesitação do eleitorado norte-americano, os democratas estão intensificando os ataques ao presidente. O problema do Partido Democrata é que seus candidatos digladiam-se entre si para conquistar a indicação do partido para disputar a eleição do ano que vem, enquanto o atual presidente pode dar-se ao luxo de fazer campanha eleitoral sem ter opositores internos e desfrutando da máquina do governo.

Para anular o grande trunfo de Bush na campanha eleitoral de 2004, os democratas estão avaliando com carinho o nome de Wesley Clark. Ele tanto pode lançar-se como candidato a presidente ou formar chapa com outro candidato na condição de vice-presidente. A indicacao de Clark pode ser muito ruim para o atual presidente, pelo fato dele ser um general aposentado, com excelente curriculum: primeiro aluno na Academia de Wespoint, a principal academia militar dos EUA, herói de guerra no Vietnam e ex-comandante supremo das forcas da OTAN (Organização do Tratado do Atlantico Norte) em Kosovo. Além do mais, ele sempre foi crítico feroz da invasão do Iraque, desrespeitando o apoio de seus aliados tradicionais.

Para Bush, resta a alternativa de que a economia dos Estados Unidos reaja fortemente em 2004, apagando a má imagem dos últimos anos, onde o que mais se lê nas páginas de economia dos grandes jornais do país são notícias sobre demissoes e escândalos financeiros. Senão, o país pode voltar a ser governado pelos democratas.