Bush anuncia início da primeira guerra no século XXI

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Publicado quinta-feira, 13 de setembro de 2001 as 13:24, por: cdb

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou em pronunciamento à nação norte-americana, nesta quinta-feira, que os atentados contra Nova York e Washington desencadearam “a primeira guerra do século XXI”.

– Uma guerra foi declarada contra os EUA e nós lideraremos o mundo até a vitória – disse ele, com lágrimas nos olhos, diante das câmeras de tevê. Emocionado, Bush chorou ao falar sobre as famílias das vítimas dos atentados de terça-feira.

– Como pai que ama seus filhos, me preocupo com as famílias – disse Bush com a voz embargada e lágrimas nos olhos.

Bush falou aos jornalistas depois de uma teleconferência com o prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani, e o governador do estado, George Pataki. O presidente assistirá, em Nova York, a uma cerimônia em homenagem a memória das vítimas do ataque contra o World Trade Center.

Na Europa, a promessa de Bush de responder com guerra aos atentados terroristas que devastaram os EUA foi apoiada nesta quinta-feira por líderes ocidentais, asiáticos e do mundo árabe. A solidariedade com a Casa Branca provocou até mesmo a união de antigos opositores: a Rússia se aliou à Otan numa rara declaração conjunta para condenar o maior atentado já cometido na História.

A aliança militar ocidental – criada para combater a expansão do comunismo – e os principais herdeiros do império soviético passaram por cima de suas diferenças para expressar sua indignação em relação aos atentados de terça-feira. A Rússia e a Otan pediram um esforço internacional para combater o terrorismo.

“Enquanto os aliados da Otan e a Rússia já sofreram com ataques terroristas contra civis, a terrível escala dos ataques do dia 11 de setembro não tem precedentes na História”, afirma a declaração. “A Otan e a Rússia estão unidas em sua decisão de não deixar os responsáveis de um ato tão desumano ficarem impunes. A Otan e a Rússia chamam toda comunidade internacional a se unir à luta contra o terrorismo mundial”.

Japão, China, Arábia Saudita e Paquistão também se alinharam com os EUA, oferecendo ao menos apoio moral à cruzada americana contra o terrorismo internacional.

Apesar da manifestação de solidariedade com a Casa Branca, a China mostrou reservas em relação a uma série de pontos, como o que os EUA definem como terrorismo; o que Washington chama de intervenção militar e as relações com nações identificadas pelos EUA como “Estados patrocinadores do terrorismo” como Coréia do Norte, Iraque, Líbia e Sudão. O governo de Pequim tem boas relações com estes países.