Broadway não é mais a mesma

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Publicado segunda-feira, 29 de maio de 2006 as 11:41, por: cdb

A temporada de musicais da Broadway não é mais a mesma, já que devido ao julgamento implacável do público, várias apresentações estão a ponto de sair de cartaz ou já deixaram de ser exibidas, entre elas a do vampiro <i>Lestat</i>, com música de Elton John.

<i>Lestat</i> encerra sua temporada neste domingo, após somente 39 exibições regulares e 33 de pré-estréia, devido ao pequeno público no Palace Theater de Manhattan.

Na semana passada, o espetáculo arrecadou parcos US$ 448 mil e ocupou apenas 53% das cadeiras do teatro, um resultado decepcionante para quem esperava que a produção de US$ 12 milhões fosse um sucesso.

Os produtores de <i>Lestat</i> apostavam no êxito do espetáculo, apoiado pelo gigante da indústria do entretenimento Warner Bros, assim como pela música do lendário astro britânico Elton John e de Anne Rice, autora do romance original <i>O vampiro Lestat</i>.

O musical conta, além disso, com as letras de Bernie Taupin e a atuação principal de Hugh Panaro, conhecido por sua atuação no aclamado musical <i>O fantasma da ópera</i>.

Mas, após ter receber duras críticas, atrair poucos espectadores e obter apenas duas nominações aos recém anunciados Prêmios Tony –  os chamados <i>Oscar da Broadway</i> -o espetáculo do vampiro recebeu uma ducha de água “benta” e fria.

De fato, as candidaturas aos Tony, que no dia 11 de junho premiarão aos melhores trabalhos da temporada 2005-2006, foram decisivas para que alguns musicais dessem adeus aos palcos de Nova York. Muitos deles nem chegaram a somar 100 apresentações.

Os produtores costumam esperar até o anúncio das nominações dos Tony, confiando que uma eventual candidatura dê um impulso final à bilheteria. Porém, neste ano, inúmeras obras não tiveram a aprovação nem do público nem do júri do Tony.

<i>Ring of Fire</i>, por exemplo, celebra a lenda do astro country Johnny Cash. Dois meses e 57 espetáculos depois, o show terminou.

Outro musical, <i>Festen</i>, um drama familiar baseado no filme cult dinamarquês <i>Festa de Família</i>, de Thomas Vinterberg, fez apenas 49 apresentações regulares e 20 de pré-estréia.

Já <i>Barefoot in the Park</i>, recriação para os palcos da fita de 1967 de Gene Saks, encerrou sua temporada no último fim de semana após receber duras críticas e depois de 108 shows, mesmo tendo a assinatura de Neil Simon, considerado um dos maiores dramaturgos dos Estados Unidos.

Outros musicais de vida curta foram <i>The Caine Mutiny Court-Martial</i>, com 17 apresentações, e <i>Well</i>, uma produção de US$ 2 milhões, que se apresentou 53 vezes no Longacre Theater e que ocupou menos de 40% das cadeiras.

No dia 18 de junho, <i>Three Days of Rain</i>, estrelada pela hollywoodiana Julia Roberts, será apresentado pela última vez. A atriz não é candidata ao Tony, mas será apresentadora da premiação.

Na lista das produções com data certa para sair de cartaz estão, além disso, <i>Awake and Sing!</i> (25 de junho), <i>Doubt</i> (2 de julho), <i>Shining City</i> (16 de julho), <i>Faith Healer</i> (13 de agosto) e <i>The History Boys</i> (3 de setembro).

Todas essas obras, claro, darão lugar a novos shows, embora alguns deles não sejam na verdade tão novos assim.

Os mais esperados, considerados futuros sucessos, são <i>Os Miseráveis</i>, ganhador de 12 Prêmios Tony – incluindo Melhor Musical – em 1987, e que teve 6.680 apresentações em 16 anos, e <i>A Chorus Line</i>, com 6.137 shows em sua montagem original e ganhador de nove Prêmios Tony em 1975.

Como se vê, na falta novidades convincentes, nada como trazer de voltar espetáculos consagrados.