Britânicos ampliam testes medicinais da maconha

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 16 de janeiro de 2002 as 23:08, por: cdb

Remédios feitos à base de maconha deverão ser usados em testes clínicos para aliviar a dor causada pelo câncer. Os testes fazem parte de um projeto sendo realizado por laboratórios farmacêuticos britânicos para testar a eficácia da maconha no tratamento de diversas doenças, inclusive da esclerose múltipla. Mais de 100 pessoas em estado terminal de câncer vão participar da terceira fase de testes em mais de 20 locais na Grã-Bretanha, segundo o laboratório GW Pharmaceuticals.

A expansão do programa de testes se segue a um anúncio, feito em outubro de 2000 pelo ministro da Justiça, de que a maconha pode ser legalizada para uso medicinal. O programa da GW Pharmaceuticals para o desenvolvimento de remédios derivados da maconha tem, entre seus objetivos, o tratamento da dor provocada pelo câncer. “O mercado potencial é muito significativo, pois 40% dos pacientes de câncer no momento não têm o medicamento necessário para suprimir a dor”, disse Geoffrey Guy, diretor-executivo do laboratório.

Os medicamentos feitos à base de maconha serão administrados em spray que deve ser borrifado sob a língua do paciente. A Campanha para a Pesquisa do Câncer da Grã-Bretanha (CRC, em inglês) acredita que os testes são uma boa iniciativa. Kate Law, da CRC, disse que já “é sabido há algum tempo que compostos como a maconha ajudam algumas pessoas que sofrem de náusea e vômito provocados pela quimioterapia”.

A terceira fase de testes clínicos é a última em preparação para a aprovação do produto pela Agência de Contole de Medicamentos da Grã-Bretanha. O ministro da Justiça da Grã-Bretanha, David Blunkett, disse que se os atuais testes clínicos forem bem sucedidos, as leis vigentes serão alteradas para permitir o uso de remédios feitos à base de cannabis, que só poderão ser vendidos com receita médica.