Briga entre partidos ameaçam CPI dos fiscais no Rio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 20:58, por: cdb

Menos de 40 dias após seu início, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais da Assembléia Legislativa – criada a partir da denúncia de que funcionários públicos teriam US$ 33,4 milhões ilegais na Suíça – ameaça virar arena de brigas partidárias. Representantes do PT advertiram nesta terça-feira para o risco de o foco das investigações ser desviado dos fiscais suspeitos, que ocuparam cargos de chefia no governo Anthony Garotinho (PSB), como Rodrigo Silveirinha Corrêa, para o período de governo de Benedita da Silva (PT), no qual eles não tiveram funções de confiança. Outros partidos levantaram suspeitas sobre a atuação da petista na anulação de multas de R$ 468 milhões e já ameaçam convocá-la.

O ambiente de disputa ficara claro na véspera, quando o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) apresentou requerimento exigindo do PT uma retratação por sua propaganda na televisão, no qual, de acordo com o tucano, o partido insinuava ser o único a trabalhar na CPI – o que os petistas contestam.

O clima piorou nesta segunda-feira quando, após o depoimento de Alfredo de Souza Plácido, que presidiu a Junta de Revisão Fiscal, o deputado Paulo Ramos (PDT) estranhou a velocidade com que o processo que resultou na anulação de multas da Rio de Janeiro Refrescos, engarrafadora local da Coca-Cola, no fim do governo do PT.

“Neste caso, a corrupção passiva está comprovada”, declarou Ramos, defendendo a reconvocação de Nelson Rocha, ex-secretário da Fazenda no governo Benedita. Segundo ele, o caso chegou “à cozinha da governadora”. “Não tenho dúvida: estou convencido de que a governadora tomou conhecimento (do processo de cancelamento).”

Ele defendeu a convocação da petista e de Garotinho. Corrêa da Rocha também criticou o governo petista, por ter aceito pareceres da Procuradoria do Estado pelo cancelamento das multas. “Cabia, no meu entendimento, a via judicial”, afirmou.