Brasileiro continua desaparecido no Mont Blanc

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Publicado quarta-feira, 23 de novembro de 2005 as 12:34, por: cdb

Os fortes ventos na região do Mont Blanc, entre a França e a Itália, estão prejudicando os trabalhos de busca do empresário brasileiro Marcos Luszczynski, desaparecido há mais de duas semanas na montanha.
O último registro de Luszczynski, de 32 anos, é de sua passagem no dia 7 de novembro por um refúgio para alpinistas a 3.800 metros de altura, a mil metros do topo da montanha. Acredita-se que ele fazia sozinho a escalada do Mont Blanc.

Segundo a polícia de Chamonix, no pé do Mont Blanc, os ventos impedem que o helicóptero da equipe de resgate faça sobrevôos muito próximos à montanha. A visibilidade na região está boa, sem nuvens, mas os ventos impedem que o helicóptero chegue perto da montanha e que possamos ter uma visão mais detalhada do local, disse à BBC Brasil o capitão Stéphane Bozon, da polícia de alta-montanha de Chamonix.

O capitão disse esperar que as condições para as buscas melhorem a partir da quinta-feira. Mas ele diz que são remotas as chances de o empresário brasileiro estar vivo caso tenha se perdido ou sofrido algum acidente na montanha. A temperatura no alto do Mont Blanc está em -20º C. É muito difícil que alguém consiga sobreviver tanto tempo nessas condições, disse.

A polícia em Chamonix foi avisada do desaparecimento de Luszczynski somente na última sexta-feira, por um amigo do Brasil. O empresário deveria ter retornado ao Brasil no último dia 12. Seu último contato havia sido no dia 4 de novembro, quando enviou um e-mail de Chamonix dizendo que pretendia iniciar a escalada do Mont Blanc. O registro em um hotel da cidade indica que ele esteve no local nas noites dos dias 3 e 4.

Uma parte da bagagem do empresário, que havia sido deixada no hotel em Chamonix, foi encontrada intacta pela polícia. Luszczynski, que tem uma empresa especializada em segurança de escaladas em Curitiba, havia viajado para um congresso de material de alpinismo na Alemanha e, antes de seguir a Chamonix, havia escalado o Zugspitze, a montanha mais alta da Alemanha, com 2.962 metros.

Segundo Anderson Bulgacov, funcionário e amigo de Luszczynski, o empresário tinha experiência em escaladas, mas sua especialidade era a escalada em rocha, não em gelo. Ainda assim, ele já havia escalado o monte Aconcágua, nos Andes argentinos, a montanha mais alta das Américas, com 6.959 metros de altura.

Bulgacov diz que a família e os amigos de Luszczynski ainda têm esperança de encontrá-lo vivo. Antes de viajar, ele havia tomado informações sobre o Mont Blanc e também sobre o Matterhorn, na Suíça. Nossa esperança é que ele tenha seguido para lá depois de passar pelo Mont Blanc, diz.

Para ele, a falta de contato e o atraso no retorno do empresário não foram em princípio vistos com preocupação. – Sabíamos que havia a possibilidade de ele atrasar, por causa da escalada. Então, nos primeiros três ou quatro dias estávamos tranqüilos, não havia motivo para preocupação, afirmou.

Bulgacov relatou ainda que, além da polícia em Chamonix e a embaixada brasileira em Paris, foram contactados alpinistas locais que podem ajudar nos trabalhos de resgate. – Por conta de nosso trabalho, temos muitos contatos com colegas alpinistas da região, que já entraram em ação para tentar localizá-lo.

De acordo com a polícia de Chamonix, há ao menos um caso de desaparecimento durante a escalada do Mont Blanc todos os anos. Além disso, de 30 a 40 pessoas morrem no local todos os anos em decorrência de acidentes na escalada. Milhares de pessoas tentam escalar a montanha todos os anos. O período de maior movimento ocorre entre junho e setembro.

De acordo com o capitão Stéphane Bozon, o número de alpinistas no Mont Blanc cai muito entre o outono e o início da primavera, quando os dias são mais curtos e mais frios. Segundo ele, o baixo movimento torna mais difícil as buscas por desaparecidos. Se houvesse mais gente com ele no momento da escalada, alguém poderia ter visto se ele caiu em um buraco ou se acident