Brasil vê aproximação com México como estratégica

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 12:55, por: cdb

Em sua rápida passagem pelo México, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um acordo que prevê a eliminação da bitributação sobre pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ampliar os investimentos entre os países. O México, quarto maior importador de produtos brasileiros com um volume de compras de US$ 2,4 bilhões, é o 26º país que estabelece esse acordo com o Brasil.

“Brasil e México representam mais metade do território, da população e da produção da América Latina. Juntos fortalecemos nossa luta por uma política comercial em pé de igualdade com os países desenvolvidos”, afirmou Lula se referindo ao desejo de conquistar a eliminação dos subsídios agrícolas, uma das batalhas travadas em Cancún. Lula e seu colega Vicente Fox concordam que há a necessidade de se promover uma reforma da Organização das Nações Unidas – que abrange, inclusive, a inclusão de um país em desenvolvimento como membro permanente do Conselho de Segurança. “Somos atualmente membros rotativos e em breve será a vez do Brasil. Essa luta tem de ser conjunta”, anunciou Fox.

As declarações sobre o tema foram feitas sob a irritação do presidente Lula de ter de responder a uma jornalista sobre um possível boato publicado no segundo maior jornal mexicano, El Universal. A reportagem se referia ao comentário da equipe de relações exteriores mexicana que taxava “de ridícula” a intenção brasileira de ocupar um assento permanente no referido Conselho. Lula disse que nenhuma intriga da mídia poderá enfraquecer a relação dos países.

Esse foi o penúltimo dos mais de 10 encontros com outros chefes de Estado travados nesses dias. Em Nova York, a agenda intensa correspondeu a uma volta a quatro continentes do planeta. Nos últimos dias Lula esteve com lideranças dos Estados Unidos, França, Alemanha, Rússia, Índia, África do Sul, Moçambique, Paraguai, Costa Rica entre outros. Hoje pela manhã, o presidente brasileiro parte para Cuba.

Visita a Cuba

Para Lula, a visita à ilha é um encontro “entre dois chefes de Estado e não entre amigos”. Há fortes pressões para que o presidente intervenha a favor de presos políticos mantidos pelo governo de Fidel Castro, líder cubano no poder há mais de 40 anos. “Todo chefe de Estado sabe que não é bom se meter na política do outro. Eu vou a Cuba tratar de interesses do Brasil”, afirmou Lula.

O brasileiro criticou o embargo econômico e reiterou que a forma do Brasil em contribuir será abrindo espaços para a ampliação de cooperações com o país. A visita vai até sábado. Nesses dois dias, muito trabalho. Há reuniões marcadas com Fidel, empresários e representantes da sociedade civil cubana.