Brasil negocia fábrica de semicondutores com o Japão

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Publicado quinta-feira, 13 de abril de 2006 as 10:44, por: cdb

A comitiva liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, visitou nesta quinta-feira, no Japão, uma série de multinacionais da área de tecnologia e semicondutores, para discutir futuras parcerias no setor. A ida a essas empresas, entre elas Sony, Toshiba e NEC, tem a finalidade de aprofundar as discussões do padrão de TV digital a ser adotado no Brasil. Serão levados em conta para a decisão a perspectiva de haver troca de tecnologia, o compartilhamento da gestão do sistema, e a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil.

A japonesa Toshiba foi a primeira a demonstrar interesse em instalar uma fábrica de semicondutores no país, como afirmou o ministro das Comunicações, Helio Costa, que integra a comissão. Caso se confirme a informação, ficará cumprida a principal exigência feita pelo governo brasileiro para adotar o sistema japonês para a televisão digital. Hélio Costa esteve reunido, em Tóquio, com representantes da empresa, mas não revelou detalhes do acordo, embora tenha adiantado que uma equipe da Toshiba irá ao Brasil para avaliar o projeto. A fábrica poderá contar com financiamento do Japan Bank for International Cooperation.

– Há um compromisso assinado com a Toshiba, que já tem uma associação muito importante com a empresa brasileira Semp. A Toshiba está enviando ao Brasil uma delegação de especialistas para trabalhar imediatamente na instalação de uma fábrica de semicondutores no país – disse o ministro Hélio Costa a jornalistas.

O sistema japonês de televisão digital terrestre tem como vantagem ser aplicável aos telefones celulares. Sob o sistema japonês, os telefones celulares e outros aparelhos portáteis atuam como receptores clássicos de televisão, o que permite assistir em tempo real e gratuitamente os mesmos programas exibidos em um aparelho de televisão caseiro.

O sistemas europeu e americano também permitem ao espectador assistir programas televisivos em um telefone móvel. Porém, se tratam de programas “a pedido” que são transmitidos através da rede de infra-estruturas telefônica, ao invés da rede hertziana como permite o sistema do Japão, o que gera gastos para o usuário.

– Porém, esta é uma decisão que deve ser tomada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nós somente preparamos o ambiente para que a decisão seja adotada – afirmou.

O chanceler Amorim também assinou, nesta quinta-feira, com o colega japonês Taro Aso, um memorando no qual o governo japonês se compromete a ajudar na criação de um sistema brasileiro-nipônico de televisão digital, que terá como principal ferramenta o sistema de modulação japonês, mas com outras inovações brasileiras também adaptadas à estrutura do sistema japonês.

O governo brasileiro deverá escolher entre o padrão europeu (DVBT), o americano (ATSC) e o japonês (ISDB) para estabelecer o sistema de televisão digital no país. Ano passado, foram vendidos 10 milhões de aparelhos de televisão, quantidade similar a do Japão. Durante a viagem a Tóquio, a delegação brasileira manteve vários encontros com os diretores das grandes empresas japonesas, os principais ministros envolvidos no tema e o primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, que pediu claramente ao Brasil que optasse pelo sistema japonês.

Amorim admitiu na quarta-feira que o padrão japonês de televisão digital é levemente mais atraente do que os demais, mas explicou que a decisão final dependerá dos investimentos e transferências tecnológicas que o país pode obter em troca da escolha.

– Basicamente temos que optar entre três noivas. As três são muito belas. Uma é levemente mais bonita que as demais. Porém, as outras duas noivas também são belas. Desta maneira escolheremos a que tem mais dólares – comparou o ministro.