Brasil fecha acordo com FMI

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Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2001 as 14:57, por: cdb

Sem rojões, o mercado financeiro do Brasil comemorou um novo acordo de 15 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar de positivos, os números da manhã desta segunda-feira revelam um investidor comedido, que se mantém cauteloso por Argentina.

“O melhor lado é que veio como um pacote preventivo”, comentou Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Schahin, referindo-se a uma travessia “com um pouco mais de conforto” para o Brasil em caso de agravamento da crise econômica no país vizinho.

Nos próximos dias, será conhecida a contrapartida exigida do governo para este novo pacote anunciado na sexta-feira após o fechamento dos mercados. Na segunda-feira, a resposta dos mercados foi favorável, mas sem euforia.

A Bolsa de Valores de São Paulo acabou a primeira etapa do dia com alta de 0,48 por cento, aos 13.905 pontos, após um ápice de valorização limitado a 1,03 por cento.

A moeda norte-americana terminou a manhã com uma queda de 1,56 por cento em relação ao fechamento anterior, a 2,466 reais para venda. Nesse patamar, há uma retração mensal do dólar ante o real de 0,9 por cento, mas a valorização anual continua a exibir robustos 26,40 por cento.

No término da primeira fase da sessão, as negociações com juros futuros indicavam baixa de todos os contratos, mas o recuo sequer alcançava 1 ponto percentual. O ativo de outubro –o de maior demanda na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F)– indicava para o término de setembro uma taxa anualizada de 21,89 por cento, contra 22,30 por cento na sexta-feira.

DESCONFIANÇA ARGENTINA ABAFA CELEBRAÇÃO

Para analistas, apesar de reconhecer que a blindagem financeira obtida com o FMI é salutar, a persistente desconfiança do mercado com a situação argentina –e com um eventual colapso que possa comprometer a economia brasileira– abafa uma reação mais animada dos ativos domésticos.

“Esse empréstimo do FMI para o Brasil foi bastante positivo. Só que o mercado continua ressabiado com Argentina”, disse Alexandre Silvério, gestor de renda variável da Investidor Profissional. Na vez anterior, no final de 1998, o governo brasileiro obteve 41,5 bilhões de dólares de organismos internacionais, incluindo o FMI.

Na área cambial, a desvalorização também deixou a desejar. “Em um primeiro momento (após o anúncio do FMI), o dólar recuou, mas não chegou a cair até 2,40 reais como alguns chegaram a apostar no final de semana”, observou o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

O economista-chefe do Schahin ressaltou, ainda, que o dinheiro do FMI garante uma certa normalidade, embora não afaste os efeitos nefastos da contaminação argentina. “A Argentina persiste nesse cenário de ‘chove não molha’, que não é de ruptura mas que afeta o risco latino como um todo.”